O prefeito João Paulo Tavares Papa encomendou um estudo à Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a elaboração de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todo o funcionalismo municipal. A informação foi dada ontem, durante sessão da Câmara, por dois vereadores do partido do chefe do Executivo, o PMDB, embora ambos sejam divergentes sobre a data para sua implantação.

‘‘Estive ontem (quarta-feira) com o prefeito, que me garantiu que abrirá discussões sobre o PCCS neste ano, com reuniões com as categorias e audiências públicas’’, garantiu o vereador Antônio Carlos Banha Joaquim. Segundo ele, a intenção de Papa é ‘‘corrigir distorções que ocorrem há mais de 30 anos’’.

Já o líder do Governo no Legislativo, vereador Manoel Constantino, confirmou o estudo da FGV, mas ressaltou que o chefe da Administração não estabeleceu prazo para a criação do PCCS. ‘‘Como estamos em ano eleitoral e o processo (de elaboração do plano) é complexo, não há tempo. Isso deve sair do papel no ano que vem’’. Nos bastidores, a declaração é vista como uma certeza na reeleição do prefeito, responsável por tocar o projeto.

A vereadora Cassandra Maroni (PT) considerou ‘‘demagogia’’ a hipótese de votação do PCCS ainda neste ano. ‘‘Não vai acontecer. Não há tempo para uma discussão desse tipo a esta altura do campeonato’’.
Suely Morgado, também do PT, também demonstrou descrédito nas tratativas sobre o processo de criação do plano. ‘‘O próprio (chefe de gabinete do prefeito) Edson Pinzan disse que não há tempo nem dinheiro para a elaboração do PCCS’’.

GRATIFICAÇÃO

A polêmica veio à tona durante a votação e aprovação — em primeira discussão — dos três projetos de lei do prefeito referentes ao pagamento de gratificação aos médicos do Município.

Entre outros itens, fica estabelecido um valor mensal de R$ 720,00 para os profissionais que cumprem jornada semanal de 20 horas. ‘‘Acho justo um aumento aos médicos, mas isso é apenas um tapa-buracos’’, reclamou Cassandra. A bancada de oposição ao prefeito defende que os benefícios sejam estendidos aos demais servidores da saúde.

‘‘Os médicos merecem ganhar até o triplo, mas não é justo limitar (a gratificação) a uma categoria’’, argumentou o vereador Braz Antunes (PPS). Ele culpou o secretário de saúde do Município, Odílio Rodrigues, pela polêmica sobre a matéria. ‘‘Ele está colocando toda a responsabilidade sobre os médicos. Se houver problemas na saúde, recairão sobre eles’’.

Constantino afirmou que a gratificação é uma manobra da Administração visando solucionar a falta de médicos no sistema. ‘‘Os profissionais estavam migrando para outros municípios, que pagavam mais. Queremos mantê-los aqui’’. Os projetos voltam em segunda discussão na próxima sessão, que será realizada terça-feira (ao invés de segunda), em virtude do feriado de Tiradentes, e no Plenário Ulysses Guimarãres (Rua XV de Novembro 103/109, no Centro).

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