Caso Biotech: fraudadores da Máfia da Saúde são presos após nova decisão judicial

Caso Biotech: fraudadores da Máfia da Saúde são presos após nova decisão judicial

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Três ex-diretores da Organização Social Biotech, acusada de organizar a chamada Máfia da Saúde no Rio de Janeiro, e que haviam sido soltos, voltaram a ser presos. Enquanto isso, os líderes da quadrilha, os irmãos Walter e Wagner Pelegrine, responsáveis diretos pela OS, continuam até hoje em prisão domiciliar. Eles foram beneficiados por um  habeas corpus.

Os ex-diretores que voltaram para a prisão estavam cumprindo prisão domiciliar, pois haviam sido soltos em dezembro, após uma decisão do plantão judicial.

A prisão ocorreu no último dia 8, por agentes da Coordenadoria de Segurança Institucional do Ministério Público do Rio. Dois dias depois ,o Ministério Público do Rio de Janeiro recomendou que Prefeitura suspenda novas OSs para saúde.

Os envolvidos são acusados de participar de um esquema de desvio de dinheiro da prefeitura. A suspeita é que mais de R$ 48 milhões destinados a hospitais públicos do Rio teriam sido roubados.

A Biotech administrava os hospitais Pedro Segundo, em Santa Cruz, na Zona Oeste e Ronaldo Gazolla, em Acari, no Subúrbio. O dinheiro era desviado por meio de materiais comprados de forma superfaturada e contratos de serviços não realizados.

Uma das presas é Cristina Isabel Cezário Turatti, ex diretora-financeira da organização social. Os outros dois presos são João Mauro Turatti e Maurílio Turatti também ocupavam cargos de direção em empresas envolvidas na fraude.

A Secretaria Municipal de Saúde diz que foi rigorosa na fiscalização e que planejava tirar a Biotech da administração dos hospitais, mas os promotores têm indícios para acreditar que o contrato seria renovado apesar de as denúncias já estarem sob investigação.

Na época da operação, o secretário de Saúde, Daniel Soranz, negou falhas na fiscalização da organizações sociais. Agora o secretário diz que os fiscais da prefeitura identificaram sobrepreço e outras irregularidades cometidas pela organização dos irmãos Walter e Wagner Pelegrine. E, sete meses atrás, em maio, ele determinou que o contrato com a Biotech não fosse renovado.

“Em alguns itens, o sobrepreço excedia 400%. O problema era bem evidente, era muito claro que eles estavam comprando dos mesmos fornecedores com valores muito acima dos praticados no mercado”, disse.
Como era o esquema
A Biotech recebeu pelo menos R$ 564 milhões em contratos com a prefeitura para administrar os hospitais municipais Pedro II e Ronaldo Gazzolla, a partir de janeiro de 2012.

“Eles contrataram oito empresas que forneciam equipamentos e medicamentos, que eram de propriedade de amigos e parentes, e repassavam esse dinheiro para eles. Os medicamentos eram comparados por essas empresas por até quatro vezes mais”, explicou o promotor de Justiça.

Segundo ele, as investigações continuam. “Vamos investigar se há a participação de outros agentes do município”, garantiu.

A operação, que teve apoio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), começou a partir de denúncia ajuizada pelo MP-RJ contra 37 pessoas que integram a Organização Social de Saúde Biotech, responsável por gerenciar os hospitais municipais Pedro II e Ronaldo Gazolla. Os acusados foram denunciados pelos crimes de peculato e falsidade em organização criminosa. No momento das buscas e apreensões, foi flagrado pelos investigadores uma mala cheia de dinheiro em um hotel. Carros de luxo e até cavalos de corrida também foram listados como possível fruto do esquema.

Segundo investigação do Ministério Público, foram realizadas “inúmeras compras superfaturadas” e pagamentos por serviços não prestados, sempre a cargo de pessoas ligadas ao esquema que, assim, possibilitavam o retorno do dinheiro aos dirigentes da OS Biotech após saques milionários em espécie.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou que o prefeito Eduardo Paes determinou o afastamento imediato dos gestores da Biotech que administram os Hospitais Pedro II e o Hospital de Acari. A SMS informou, ainda, que vai determinar o ressarcimento de todo valor que tenha sido desviado.

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