Lembra da história da empresa terceirizada que deixou 300 toneladas de remédios vencerem no Rio de Janeiro. E que com essa leva o desperdício já chegava a mil toneladas de medicamentos? Pois é! A incompetência da empresa não impediu que só esse ano ela embolsasse R$ 30 milhões dos cofres públicos. Tudo facilitado pela falta de fiscalização do poder público.
Mas o que vamos contar agora é ainda mais absurdo. Não bastasse todo esse dinheiro gasto em vão pela pasta estadual da Saúde fluminense, mais R$ 3 milhões deverão ser gastos para queimar essa montanha de dinheiro que ficou mofando nas prateleiras do galpão da Central Geral de Abastecimento (CGA) da Secretaria de Estado de Saúde, em Niterói. O local é gerenciado pela empresa terceirizada LogRio.
Foi o que divulgou no início do mês a Assembleia Legislativa (Alerj), onde uma frente parlamentar investiga os contratos com empresas e OSs na saúde. O valor, calculado pela comissão mista da Alerj, é uma estimativa do que empresa, contratada pelo consórcio LogRio, cobra para queimar cada item que estava no depósito.
O gasto para resolver um problema causado pela terceirização de um serviço essencial ocorre em meio à uma grave crise financeira, aprofundada por contratos milionários com Organizações Sociais sob suspeita ou já flagradas praticando desvio de dinheiro do SUS.
Demora
Conforme noticiou o G1, sobre os medicamentos descartados que estavam na CGA, os parlamentares reclamam de atraso no repasse de informações da secretaria. Solicitados, os dados ainda não haviam chegado às mãos dos deputados até o início desta semana.
Um terço dos remédios que ficaram vencidos por falta de distribuição já foi identificado pela comissão. Além de larvicidas que poderiam ser usados para combate ao Aedes aegypti, há remédios para pressão, entre outros.
Isso é terceirização. O contribuinte paga, o Estado transfere responsabilidades, o empresário lucra e o povo sofre.
