A crise econômica e a queda na arrecadação de tributos vem sendo a muleta de todos os prefeitos que tentam esconder a incompetência ou má fé de suas gestões. É essa a desculpa sempre que um hospital deixa de atender porque os funcionários não recebem ou porque os equipamentos estão quebrados ou porque faltam medicamentos e insumos. Nas unidades onde há terceirização, o discurso é reproduzido com maior intensidade.
Mas essa justificativa é só uma cortina de fumaça para desviar a atenção da população ao que realmente importa: terceirizar e privatizar é mais caro e deixa os serviços mais precários. Sem crise é assim. Com crise também!
Terceirizar não é a solução para a crise de financiamento da saúde pública. Pelo contrário: é um ingrediente a mais para aprofundá-la.
Esse raciocínio está muito transparente no embasamento que a promotora pública de Cubatão, Larissa Morra Nunes Liger utilizou para pedir à Justiça a intervenção do Estado no Hospital Municipal de Cubatão, terceirizado há mais de 10 anos para organizações sociais que entram e saem do equipamento deixando rastros de problemas.
Em matéria publicada nesta sexta-feira (5/8) no Jornal A Tribuna, a promotora assinala que a unidade “apresentou constante declínio em sua capacidade de autogestão. Neste contexto, cumpre ressaltar que há anos, em episódios cada vez mais frequentes, o hospital municipal está prestes a fechar as portas”.
Diz ainda a matéria que em depoimentos de inquéritos civis que instaurou, “a péssima situação há tempos do Hospital está estampada em diversos ofícios” que recebeu. Veja abaixo:
