Alunos da Universidade Estadual de Ciências da Saúde (Uncisal) de Alagoas se uniram a servidores do Hospital Geral do Estado e sindicalistas em ato público na tarde desta quarta-feira (10) para denunciar a lógica do Governo do Estado de “sucatear para depois vender” as unidades de saúde, entregando-as para gestão por Organizações Sociais (OSs).
Eles protestaram contra o sucateamento das unidades assistenciais da Universidade, como o Hospital Escola Hélvio Auto, a Maternidade Escola Santa Mônica e o Hospital Escola Portugal Ramalho, onde faltam luvas, soro, gaze, antibióticos básicos, alimentação para os pacientes, entre outras coisas. E também marcaram posição contrária à implantação da gestão privada no HGE, via OSs.
Segundo afirmou ao site Boa Informação, de Alagoas, o estudante Rafael Marinho Normande, do Diretório Central dos Estudantes Nise da Silveira, os alunos estão vendo seus campos de prática limitados. Ele diz que em breve os estágios se tornarão observacionais e talvez até suspensos.
O curso de radiologia, por exemplo, está operando sem equipamento de proteção, sem dosímetro, que mede a dose de radiação. E o quadro de profissionais também está limitado. “Para pacientes mais graves, esse desabastecimento é letal”, alerta Normande.
“Acreditamos que esse processo de sucateamento é o mesmo que vem acontecendo no HGE. E, agora, com a notícia da privatização tudo se encaixou. Essa é uma medida que vai beneficiar apenas o dono das empresas, porque todas as implantações de OSs mostram resultados extremamente negativos tanto para os estudantes, quanto para os servidores e principalmente os pacientes. Nosso primeiro ato de vários foi o começo de uma luta por um HGE 100% público e pelo abastecimento das unidades, que estão passando pelo mesmo processo de sucateamento do HGE: sucateia e após vende”, protestou o estudante.
Projeto privatizante
O projeto do governador Renan Filho (PMDB) de ‘privatizar’ hospitais vai além do HGE.
Serão publicados, nos próximos dias, editais para contratação de organizações sociais (OSs) para administrar, primeiramente, alguns setores, como o atendimento do HGE. Mas será em Rio largo, no Hospital Geral Professor Ib Gatto Falcão, a primeira experiência de transferir para a iniciativa privada de “interesse social” a gestão de todos os setores de um hospital público de Alagoas.
