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NOVOS ELEITOS PARA A CÂMARA NÃO TRARÃO RENOVAÇÃO POLÍTICA
De Norte a Sul do País, o resultado das urnas nas eleições de 2016 deixa certezas. O desgaste da classe política é fato incontestável. O alto índice de abstenções e de votos nulos ou brancos é um recado claro de que grande parte da população está insatisfeita. Em Santos estes índices somados representaram 37,92% do eleitorado. Ou seja, quase 40% não optaram por uma das propostas apresentadas. Mais de 80 mil pessoas simplesmente não foram votar. Não é só uma recusa às candidaturas, mas ao sistema. O recado chega também à Câmara de Vereadores. Mesmo entre os que mantiveram os mandatos, em grande parte a votação obtida foi menor que na eleição anterior.
Farto material com análises na mídia permite identificar o contexto destas eleições, em que o cenário local apenas reproduz o que ocorre em larga escala regional, nacional e, porque não, pelo mundo a fora. A onda conservadora vem no bojo de um projeto de poder engendrado no colo das elites políticas, industriais e agrárias, e nos bastidores dos grandes grupos de comunicação. O recrudescimento da opinião pública, a volta de movimentos reacionários, que pedem a volta da ditadura, e o avanço do neoliberalismo em contrapartida ao destaque obtido pelas esquerdas na América Latina. É mera formalidade apontar interesses norte americanos neste contexto de patrocínio e fomento para a “virada de mesa”. É o mesmo cenário do impeachment da presidente Dilma e a gestação de ambiente político para a adoção de medidas como redução do tamanho do estado e do investimento público, já anunciado via PEC 241, arrocho salarial, redução de direitos trabalhistas, redução do nível de renda e privatizações.
Por mais que usufruam deste modelo político econômico, os próprios beneficiados na Câmara de Santos defenderam a necessidade de mudanças na conduta do Legislativo e da política em geral. Não é autocrítica ou coisa que o valha. É instinto de sobrevivência. O modelo de Câmara como avalista do Executivo, com partidos comprados com cargos e secretarias, em sistema de loteamento da gestão é a raiz de muitas mazelas. Cada autarquia ou unidade de governo com orçamento próprio torna-se cobiça mercantil. Em sacrifício de políticas públicas para o coletivo. No retorno ao trabalho após as eleições, em plenário, pelos menos duas falas foram muito sintomáticas sobre a relação de servidão ao Executivo a que está submetida a Câmara de Santos. É como se dissessem: nós ajudamos votando os projetos do governo, mas isto vai nos custar o mandato. Há uma relação direta entre a defesa do governo e a perda de votos. Basta observar o que aconteceu com a própria linha de frente do prefeito na Casa. Sadao Nakai, Cacá Teixeira, Ademir Pestana e Geonísio Boquinha (PSDB) são os principais defensores do prefeito. Todos perderam votos. Para Boquinha foi pior ainda: não só perdeu votos como não foi reeleito.
A tropa de choque do Executivo foi cobrada. E não é para menos. São várias as ações judiciais contra a 
Ser defensor do governo tucano também custou mais 800 votos a Ademir Pestana, o vereador contrário ao Uber. Disse estar admirado pelo fato de que a cada três eleitores, um não votou. Sentiu o peso de quase ter ficado de fora. “Tivemos reposta da insatisfação da população. Temos que ter um compromisso de que estes novos parlamentares que aqui chegam resgatem a confiança com a população. Termos que repensar esta Casa, trazer a reposta que esta população nos cobra. É um alerta que eu faço aqui. Não adianta mantermos uma Casa só propositiva, tem que ter a sua independência em todos os sentidos. É por isso que cobro este momento de renovação. 40% é muita renovação. Os novos têm de vir imbuídos para que nós façamos esta Casa totalmente independente”, discursou.
Os novos a que se refere Pestana são Fabiano da Farmácia (PR), Lincoln Reis (PR), Rui de Rosis (PMDB), Audrey Kleys (PP), Bruno Orlandi (PSDB), Augusto Duarte (PSDB), Fabrício DVD (PSB), Chico Nogueira (PT) e Telma de Souza (PT). Com exceção dos petistas, todos os demais elegeram-se ou pelo partido do prefeito ou de sua coligação. Infelizmente a população não pode esperar deles qualquer esboço de independência. Se na atual legislatura, o governo conta com 20 vereadores para aprovar seus projetos, contará agora com 19. Sete partidos da coligação governista possuem 19 cadeiras.
Embora atuante na Zona Noroeste, Fabiano Farmácia elegeu-se juntamente com Lincoln Reis, dos Morros, ambos pelo PR, partido que comanda, por exemplo, a Prodesan, de Odair Gonzales. Audrey Kleys, jornalista, é a atual secretária adjunta da Educação. Fabrício DVD foi eleito pelo PSB, que detém, por exemplo, a secretaria de Cultura(Professor Fabião). Os demais, que atuam em negócios próprios como empresários, são tucanos. Neste bloco ninguém vai se aventurar a chutar contra o próprio gol. É a escolha feita pela maioria da população.