OSs atrasam pagamento em hospitais de Goiás e distribuidores reclamam

OSs atrasam pagamento em hospitais de Goiás e distribuidores reclamam

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O gasto com medicamentos e insumos hospitalares em Goiás está custando mais caro aos cofres públicos e a culpa é da terceirização irresponsável da saúde para as Organizações Sociais de Saúde.

Distribuidoras que fornecem remédios e material hospitalar para os hospitais públicos comandados por OSs no estado estão sem receber há pelo menos dois meses, conforme reportagem do Jornal O Popular, publicada no último dia 14.

Em alguns casos, as dívidas se acumulam há quatro meses. As empresas que não recebem já suspenderam o fornecimentos de artigos como seringas, agulhas e diversos medicamentos. Segundo o jornal, as farmácias e os almoxarifados ainda não estão desabastecidos porque as entidades estão fazendo manobras com a verba repassada pela Secretaria de Estado da Saúde. Elas estão mudando de fornecedores para evitar aqueles onde devem. Com isso, provavelmente estão pagando muito mais caro pelas compras.

“Eles buscam outros fornecedores. Se um não entrega, fazem a compra de outro. E, assim, acredito que já estão devendo para mais da metade dos distribuidores do País”, afirma uma representante que pede para não ter o nome identificado.

O jornal procurou nove empresas fornecedoras e apurou que para todas elas os pagamentos estão irregulares desde o segundo semestre de 2005. Entretanto, o cenário piorou desde o segundo semestre deste ano.

Outro distribuidor disse ao O Popular que suspendeu o fornecimento de remédios essenciais para bebês que estão nas UTIs neonatais. “Na verdade, suspendemos tudo. Mas essas entidades não ficam negativadas no mercado e continuam fazendo contas em outros distribuidores sem a obrigação de quitar a dívida conosco”.

Outro fornecedor afirmou que, com a fama de “mau pagadoras”, as OSs provavelmente já estão pagando mais caro pelos medicamentos. “Como as distribuidoras sabem destes atrasos na quitação das faturas, os que ainda aceitam efetuar vendas e têm condição de assumir o risco de não ter data para receber, superfaturam o valor do medicamento”.

Uma tabela publicada pelo jornal mostra quem são as OSs que têm contratos de gestão nos hospitais de Goiás e detalha a dívida do governo estadual para com as entidades.

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A Secretaria de Estado da Saúde disse, em nota, que os fornecimentos de remédios e insumos estão em ordem. Mas não responde se há atraso nos repasses para as OSs. A reportagem ainda ressalta que a dívida do Estado para com as entidades é de R$ 200 milhões, conforme dados publicados no Portal da Transparência.

Educação vai para o mesmo caminho

Apesar de todos os problemas que com a crise demonstram as desvantagens do modelo de gestão por OSs na saúde, o governador Marconi Perillo insiste em replicar a metodologia para a área da Educação, onde 23 escolas de Anápolis serão terceirizadas para entidades.

A medida afronta a Constituição e recebe muita resistência de educadores e estudantes.

 

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