No Rio, um terço das metas das Organizações Sociais não foram cumpridas

No Rio, um terço das metas das Organizações Sociais não foram cumpridas

Onde quer que se instalem, as Organizações Sociais produzem desperdício e desvio de dinheiro público. Em alguns locais, o tamanho desse prejuízo é medido e pode-se ter a dimensão do estrago da terceirização dos serviços públicos.

Em outros municípios e estados nada é investigado e os ralos da ineficiência e dos crimes seguem escoando rios de dinheiro diretamente para empresários e políticos.

O Rio de Janeiro é um dos poucos estados que resolveram seguir parte do rastro que as OSs deixaram na maior crise da saúde de sua história.

No ano passado, após uma intensa auditoria, a Assembleia Legislativa apontou que em 2015 foram cumpridas apenas 66,6% das metas previstas em contratos bilionários firmados com estas entidades na saúde. Isso quer dizer que um terço de todo o dinheiro repassado para as terceirizadas responsáveis por gerirem hospitais, prontos-socorros, UPAs, ambulatórios e outros serviços, virou pó. Sumiu!

Na Prefeitura

Apenas na rede municipal do Rio, a caríssima terceirização na saúde gerou um rombo de R$ 1 bilhão no orçamento municipal. Agora (e só agora!) a administração diz que renegociará contratos com algumas OSs, o que trará uma economia de R$ 250 milhões por ano.

Esta é mais uma prova da grande sacanagem contra os usuários dos serviços e contribuintes. O fato de haver a possibilidade de baixar agora os gastos com parte das entidades mostra a fragilidade de um modelo de gestão que foi criado apenas para favorecer os interesses dos governos (que não querem realizar concursos e que visam entregar tudo para terceiros) e dos empresários (que enxergam no filão das Oss uma maneira fácil de ganhar lucrar sem enfrentar resistências e fiscalização qualificada).

Veja alguns exemplos nos jornais do fracasso que a chamada Publicização representa no estado do Rio e na capital.

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Nas manchetes de jornais

O Rio de Janeiro virou manchete nos últimos dias por conta de outra crise envolvendo distribuição de propina e corrupção na saúde. Nessa relação entre agentes públicos e empresários, o ex-secretário de Estado da Saúde, Sérgio Cortes e outros dois empresários que forneciam próteses para um Instituto Federal de Ortopedia foram presos, acusados de tantas irregularidades que não caberiam aqui os detalhes.

Em resumo, a operação da Polícia Federal, denominada “Fatura Exposta”, foi um desdobramento da Lava Jato no Rio e demonstrou fraude em licitações na Saúde e pagamento de propina ao ex-governador Sérgio Cabral. Um prejuízo de cerca de R$ 300 milhões.

Sentimos informar, mas o rombo do orçamento gerado pelos desvios e má gerência ligados às OSs é muito maior. No entanto, é mais difícil de ser desmascarado. Por uma razão muito simples. Infelizmente, as OSs e a Publicização estão previstas em um lei federal (que fere os princípios da Constituição e da moralidade), criada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), nos anos de 1990.

A legislação institucionalizou a não obrigatoriedade dos estados e municípios fazerem licitações e concursos públicos, desde que os serviços sejam entregues para tais entidades qualificadas como OSs. É claro que todos sabem que as OSs nada mais são do empresas, ou braços de empresas, criadas especialmente para lucrar, sem o mínimo controle social, com grana alta da Saúde, Assistência Social, Cultura e Educação. Sendo assim, a lei oficializou a roubalheira.

Há estados, como o Rio e São Paulo, que terceirizaram quase que 100% de seus serviços. Trata-se do golpe perfeito, com aparência de legalidade, que vem sendo aplicado e ampliado no Brasil por políticos e empresários há pelo menos duas décadas.

Em SP, TCE aponta: OSs são mais caras e menos eficientes

Um dos argumentos dos prefeitos e governadores para adotar a chamada Publicização dos Serviços Públicos, ou seja, a terceirização via “terceiro setor”, é que as Organizações Sociais são mais eficientes e mais econômicas do que a administração direta. Será?

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) resolveu investigar essa afirmação na prática e descobriu justamente o contrário. O levantamento, feito em 2010, comparou dados de seis hospitais de mesmo porte. Três deles eram geridos pelo poder público de forma direta. São eles: Hospital Geral de Ferraz de Vasconcelos, Hospital Geral de Guaianases e Hospital Regional Sul São Paulo.

Outros três hospitais que integraram a comparação eram administrados por OSs: Hospital Geral de Itaquaquecetuba, Hospital Geral de Itaim Paulista e Hospital Geral do Grajaú.

Segundo o estudo, os técnicos verificaram que, apesar do valor/hora dos trabalhadores ser menor, hospitais geridos por OSs custam, em média, 38,52% mais do que os geridos pela administração direta. Nos casos estudados, R$ 60 milhões a mais.

Outro detalhe apontado pelo levantamento é que o custo do leito nas OSs é 17,60% maior.

No quesito qualidade, o hospital terceirizado também perdeu: a taxa de mortalidade geral era maior; os doentes ficavam mais tempo sozinhos nos leitos e havia mais problemas de reposição de medicamentos.

Quando o assunto é controle social, mais problemas. Nos equipamentos terceirizados o TCE-SP apontou que a participação da comunidade e a implantação das diretrizes da política de saúde definida nas conferências de saúde não existem. Nos hospitais onde atuam as OSs, a fiscalização nos moldes da Lei 8.142/90 (que trata da alocação dos recursos do Fundo Nacional de Saúde) também é nula. Não há a presença dos conselhos de saúde, substituídos por conselhos de administração internos, nada independentes.

Uma vez tomados pelas OSs, os hospitais se transformam em verdadeiras caixas-pretas. Não é à toa que a Fundação do ABC será retirada do Hospital de Osasco, conforme anunciou o prefeito recém-eleito, Rogério Lins (PTN).

Não é à toa que em Bertioga o prefeito estreante Caio Matheus (PSDB) também disse, enquanto candidato e no dia de sua posse, que a OS encareceu os custos do Hospital Municipal em quase R$ 1 milhão. Não é à toa que o Hospital Municipal de Cubatão se encontra fechado depois de anos tomado por OSs que sugaram recursos astronômicos do orçamento da Prefeitura.

São muitos outros exemplos que mostram a irresponsabilidade e os danos que a terceirização provoca aos cofres públicos e aos serviços. No site do Projeto (www.ataqueaoscofrespublicos.com) há um vasto material para consulta. Acesse e ajude a divulgar!

 

 

 

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