Os governos tentam manter como dá a terceirização da saúde pelas “vantagens” que o sistema proporciona. Dentre elas, a possibilidade de reduzir o percentual gasto com pessoal e burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal, a possibilidade de alimentar com empregos os apadrinhados políticos e, em muitos casos, a facilidade para desviar recursos públicos de forma mais discreta.
Mas há estágios em que esse tipo de terceirização alcança que acabam por inviabilizá-la politicamente. Os muitos efeitos nocivos no atendimento à população ficam evidentes. Começam a aparecer as pistas das reiteradas falcatruas.
A gestão por OSs acaba por ser um peso e há a necessidade dos governos entreguistas recuarem. Parece ter sido essa a motivação do decreto assinado pelo prefeito de Bariri (SP), Francisco Leoni Neto (PSDB), afastando a organização social Vitale da administração da Santa Casa e afirmando o compromisso de gerir diretamente o Pronto-Socorro.
A Vitale é alvo de investigação do Ministério Público e foi destaque no escândalo que desfalcou em milhões o Hospital Municipal de Campinas (SP) Ouro Verde. O decreto de intervenção é válido por 180 dias.
No que se refere ao Pronto-Socorro, a unidade vem sendo administrada por uma outra organização social, contratada em março deste ano, de forma emergencial, depois que médicos do PS entraram em greve em protesto pelo atraso nos salários.
O contrato com a OS Instituto de Desenvolvimento de Gestão, Tecnologia e Pesquisa em Saúde e Assistência Social (IDGT), que também tinha caráter provisório, se encerra neste sábado (15). A Prefeitura optou por não renová-lo, diante dos desgastes que o modelo de gestão tem trazido na Cidade.
Dentre as justificativas para a intervenção, o decreto cita, além do envolvimento da diretoria da Vitale na investigação do MP, a falta de medicamentos e insumos necessários para o funcionamento, a ausência de alvarás e a dívida com fornecedores que estaria dificultando o recebimento de recursos.
