
Quase que diariamente a imprensa noticia o descalabro que as redes de saúde pública do Estado do Rio e também da capital se tornaram.
Lá o modelo vigente é a gestão por Organizações Sociais. Os contratos sempre foram absurdamente gordos e sem controle ou transparência. Combinada com a crise financeira que atinge o estado nos últimos anos, a terceirização aprofunda dia a dia os dramas de quem depende de atendimento público.
Nesta quinta (13) os destaques negativos desse cenário foram os Hospitais Salgado Filho, no Méier, e Albert Schweitzer, em Realengo.
O primeiro, localizado na Zona Norte, foi alvo de vistoria da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores. Os parlamentares encontraram várias alas superlotadas e pacientes usando roupa de cama levada de casa pelos parentes, aumentando o risco de infecções.
A emergência do hospital tem capacidade para 36 leitos, mas havia 96 pessoas, ou seja, 166% a mais do que a capacidade do local. Outros 17 pacientes estavam internados no corredor da unidade.
A comissão também visitou UPAs igualmente terceirizadas, que deveriam reduzir a lotação dos hospitais. No bairro do Engenho de Dentro, por exemplo, na Zona Norte do Rio, a unidade que deveria desafogar o atendimento do Salgado Filho está superlotada.
Os funcionários da UPA ainda estão com dois meses de salários atrasados. Fornecedores também não recebem neste período.
O contrato de gestão da unidade do Engenho de Dentro é de R$ 1,4 milhão por mês. De acordo com a direção, a Cruz Vermelha não pagou dezembro do ano passado porque não recebeu da Prefeitura do Rio. O Governo municipal, por sua vez, tem contestado os valores cobrados pelas OSs, que seriam muito mais altos do que os apurados pela Secretaria de Saúde.
Albert Schweitzer
No hospital de Realengo, a situação desta quinta (13) também era caótica, como tem sido há anos. A imprensa constatou falta de maqueiros sendo superada pela solidariedade. Foram os familiares e amigos de quem estava sendo atendido que ajudavam a levar as pessoas para dentro da unidade.
A redução do número de funcionários na última madrugada seria devido a mais um atraso no pagamento, diz reportagem do Jornal Extra. A unidade também é administrada pela Organização Social Cruz Vermelha, do Rio Grande do Sul, os empregados estariam há 3 meses recebendo a remuneração atrasada.
A falta de médicos também é prejudica o Albert Schweitzer. Nesta quinta-feira não havia ortopedista na unidade, e quem chegava procurando um especialista era mandado de volta para casa. O mesmo ocorreu com neurologista.
Sobre os pagamentos às Organizações Sociais gestoras, a Secretaria informou que “liquidou os processos de pagamento das organizações sociais e que os repasses dependem de disponibilidade de caixa do Tesouro Municipal.”
“Não há orientação da SMS para restrição ou suspensão de quaisquer serviços e as Organizações Sociais gestoras de unidades de saúde foram notificadas de que não está autorizado o fechamento de unidades ou suspensão/restrição de serviços”, disse a secretaria, em nota.
Escândalo na Rede do Estado
Nos últimos dias, o Rio foi o centro de um grande escândalo envolvendo desvio de recursos da saúde via OSs.
O caso foi noticiado em rede nacional e mostrou a participação do ex-governador Sérgio Cabral, preso por diversos esquemas de corrupção apurados pela Operação Lava Jato.
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