Faltam medicamentos e salários em dia na saúde terceirizada de Arujá

Faltam medicamentos e salários em dia na saúde terceirizada de Arujá

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A cidade de Arujá, na região paulista de Mogi das Cruzes, coleciona prejuízos decorrentes da terceirização na saúde.

Segundo reportagem do portal de notícias G1, a situação foi classificada como crítica. Pacientes e médicos reclamam. Os primeiros dizem que não conseguem medicamentos. Já os profissionais afirmam que faltam condições de trabalho e pagamento dos salários. Ambas as partes concordam que o problema está nas unidades de saúde que são administradas por uma empresa terceirizada, a organização social Inovação.

A Prefeitura foi procurada e alegou que os pagamentos à terceirizada estão em dia, que o contrato termina nesta quinta-feira (18), quando  outra organização social vai assumir os serviços. Provavelmente, os problemas continuarão. Na certa, o dinheiro consumido pela empresa anterior sem que cumprisse metas não voltará mais.

Segundo populares ouvidos pelo G1, o pronto-socorro comandado pela OS está sem remédios. Na manhã desta quarta-feira (17) a secretária de Saúde de Arujá, a médica Gisele Barros, foi na unidade e  ouviu repetidas queixas tanto de usuários quanto de funcionários.

Veja o que apurou a reportagem do G1 e Diário TV:

Além da falta de medicamentos, os médicos contam que estão com o salário atrasado. “Era uma promessa de trabalhar e receber no dia 10. Hoje já é dia 16 e o pagamento não foi feito. O pagamento do mês anterior veio com atraso também e estão trocando a administração, sem chance de pagamento. Segundo me consta, foi repassado o dinheiro pela Prefeitura, mas eles não pagaram”, conta a médica Gisele Barros.

A médica Fátima Barros conta que inúmeras vezes precisou trazer remédios de outro hospital em que trabalha para poder medicar os pacientes no pronto atendimento do município. “Se é emergência, você tem que se virar. Muitas das vezes eu trago, os pacientes não sabem disso, medicação de outro hospital que fica comigo para que esse paciente não sofra e não morra na minha frente.”

Os problemas na saúde também acontecem na Maternidade Municipal de Arujá. Além de faltar itens básicos, como toalha e lençóis, muitas vezes não há material esterilizado.

Kleia Ribeiro conta que, quando estava grávida, não conseguiu ter o filho na maternidade porque não havia materiais adequados para o médico fazer o parto. “Eles falaram que não tinha como eu ter a minha filha lá porque eu ia morrer, porque não tinha recursos. Eu fiquei desesperada, olhei para o médico e ele estava com cara de choro. Disseram que eu só tinha duas horas de vida.”

Na maternidade os funcionários também reclamam do pagamento, que está atrasado. Ex-trabalhadores do hospital que não quiseram se identificar contam que enfrentaram diversos problemas. “Eu quero meu direito, minha rescisão, porque já tem um mês que a gente cumpriu o aviso e nada de cair dinheiro na nossa conta. A gente liga aqui no hospital e eles não querem atender, falam que estão em reunião, que a diretora não está e a gente fica sem resposta.”

A produção do Diário TV tentou falar com a empresa Inovação, que administra os postos, mas não conseguiu contato. Já a Prefeitura disse, em nota, que todos os pagamentos contratuais foram feitos para a empresa e que a secretaria está notificando a Inovação para que justifique no prazo de 48 horas o não pagamento dos funcionários e dos outros problemas.

A nota diz ainda que o contrato atual termina nesta quinta-feira (18), quando uma outra organização social, classificada em chamamento público, vai assumir a administração das três unidades.

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