MÉDICO QUE EXECUTOU COLEGAS EM SP POSSUI MILHÕES EM CONTRATOS COM A SAÚDE DE CAMPINAS E DE VÁRIAS CIDADES DE MT

MÉDICO QUE EXECUTOU COLEGAS EM SP POSSUI MILHÕES EM CONTRATOS COM A SAÚDE DE CAMPINAS E DE VÁRIAS CIDADES DE MT

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O médico Carlos Alberto Azevedo Filho, preso em flagrante na última sexta-feira (16) por assassinar dois colegas de profissão em um restaurante de luxo em Barueri (SP), figura entre os prestadores de serviços terceirizados de Saúde em redes públicas não só em cidades da Grande São Paulo, como também em Campinas e em municípios do Mato Grosso. 

A empresa do atirador, a Cirmed Serviços Médicos Ltda, mantém contratos com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) que ultrapassam os R$ 15 milhões. No extrato do Contrato publicado no Diário Oficial, Carlos Alberto figura como representante legal da empresa. 

O crime, que vitimou os médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes e Vinícius dos Santos Oliveira, teria sido motivado justamente por “guerra de licitações”, o mesmo mercado em que Carlos Alberto atua com força em solo mato-grossense.

A capilaridade da Cirmed em Mato Grosso impressiona pelo montante em valores. Somente em janeiro deste ano, a empresa assinou um contrato de R$ 5,4 milhões com a SES-MT para serviços de nefrologia.

Além disso, a empresa faz a gestão de UTIs e escalas médicas no Hospital Regional de Rondonópolis (a cerca de 210 km de Cuiabá), com contrato de R$ 4,2 milhões para gestão de UTI Adulto. E atua na prestação de serviços para mais quatro Regionais, sendo Sorriso, Sinop, Alta Floresta e Colíder. 

Na capital mato-grossense, é reponsável pelo fornecimento de mão de obra médica do Hospital Adauto Botelho, e atende por meio de contrato com a gestão estadual, a Santa Casa. 

A empresa do médico atirador também operava na Grande São Paulo via Fundação ABC, entidade que foi alvo da Operação Estafeta da Polícia Federal em julho de 2025. A investigação apura um esquema de propinas em contratos de gestão hospitalar. Embora a Cirmed não tenha sido o alvo principal daquela operação, a PF investiga se a “rixa” que levou ao duplo homicídio nasceu de acertos de contas sobre esses repasses públicos.

CAMPINAS

A empresa Cirmed também presta serviços à Rede Mário Gatti de Hospitais, em Campinas, por meio de dois contratos firmados no ano passado. A Prefeitura de Campinas confirma que a Cirmed é contratada mediante licitação para prestação de serviços médico e multiprofissionais no Hospital Ouro Verde e também para serviços de anestesiologia nos hospitais Ouro Verde, Mário Gatti e Mário Gattinho. O primeiro tem valor de R$ 51 milhões, por 24 meses, e o outro, de R$ 29 milhões, por 36 meses.

O contrato para serviços médicos gerais no Ouro Verde chegou a ser questionado judicialmente por uma concorrente, sob alegação de que a Cirmed possui sanção vigente em um contrato em Porto Alegre, o que a impediria de ser contratada por poderes públicos. Em pedido de liminar, porém, o Tribunal de Justiça entendeu que o edital da licitação em Campinas autoriza a participação de empresas com restrições externas, e reforçou que não há impedimento jurídico para a contratação, que foi mantida. Segundo a Prefeitura, não há nenhuma pendência ou descumprimento de obrigações em Campinas.

A administração municipal também diz que a empresa, com sede em Bauru, solicitou em dezembro a retirada de Carlos Alberto do quadro-societário. Já a Cirmed afirmou em nota divulgada em suas redes sociais que o fato envolvendo um de seus sócios foi pessoal e isolado, e não deve ser confundido com as atividades de assistência em saúde da empresa.

O CRIME E A MOTIVAÇÃO

Câmeras de segurança registraram o momento em que Carlos Alberto executou os concorrentes após uma breve conversa em um restaurante. Segundo o delegado Andreas Schiffmann, a disputa era comercial. Uma das vítimas gerenciava empresa que competia diretamente com a Cirmed por contratos públicos.

“Os familiares relataram que já havia essa rixa e ameaças. Eles eram concorrentes diretos no mercado de licitações”, confirmou o delegado. 

CONTRA TODAS AS FORMAS DE TERCEIRIZAÇÃO E PRIVATIZAÇÃO!

Terceirizar os serviços é fragilizar as políticas públicas, colocar a população em risco e desperdiçar recursos valiosos com ineficiência, má administração ou até má fé de entidades privadas.

Disfarçadas sob uma expressão que esconde sua verdadeira natureza, as organizações sociais (OSs), organizações da sociedade civil (OSCs) e oscips e não passam de empresas privadas, que substituem a administração pública e a contratação de profissionais pelo Estado. Várias possuem histórico de investigações e processos envolvendo fraudes, desvios e outros tipos de crimes.No setor da saúde, essas “entidades”, quando não são instrumentos para corrupção com dinheiro público, servem como puro mecanismo para a terceirização dos serviços, o que resulta invariavelmente na redução dos salários e de direitos.

Embora seja mais visível na Saúde, isso ocorre em todas as áreas da administração pública, como Educação, Cultura e Assistência Social. O saldo para a sociedade é a má qualidade do atendimento, o desmonte do SUS, das demais políticas públicas e, pior ainda: o risco às vidas.

Todos estes anos de subfinanciamento do SUS e demais serviços essenciais, de desmantelamento dos direitos sociais, de aumento da exploração, acirramento da crise social, econômica e sanitária são reflexos de um modo de produção que visa apenas obter lucros e rentabilidade para os capitais. Mercantiliza, precariza e descarta a vida humana, sobretudo dos trabalhadores. O modelo de gestão por meio das Organizações Sociais e entidades afins é uma importante peça desta lógica nefasta e por isso deve ser combatido.

Não à Terceirização e Privatização dos serviços públicos!