TERCEIRIZAÇÃO QUE MATA: MAIS UM ÓBITO COLOCA EM XEQUE A QUALIDADE DO ATENDIMENTO NO HOSPITAL DOS ESTIVADORES

TERCEIRIZAÇÃO QUE MATA: MAIS UM ÓBITO COLOCA EM XEQUE A QUALIDADE DO ATENDIMENTO NO HOSPITAL DOS ESTIVADORES

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Mais uma morte por suspeita de negligência médica entra para o currículo da gestão terceirizada do Complexo Hospitalar dos Estivadores de Santos.

Segundo o relato publicado nas redes sociais no último dia 5,  e que foi alvo de requerimento da Câmara ao prefeito Rogério Santos, uma família está dilacerada pela dor da perda do pequeno Théo, ocorrida no dia 1º de abril, durante a internação da mãe, Talita, uma gestante que procurou o hospital após a bolsa ter estourado.

O equipamento está sob a gestão terceirizada da organização social Instituto Social Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Quem assina a carta contando os detalhes do caso é a cunhada de Talita. Ela relata os fatos de forma cronológica e aponta uma série de negligências na condução do acompanhamento da parturiente.

Reproduzimos abaixo o relato:

“RELATO DE UMA MÃE
Hoje venho contar o que aconteceu com minha cunhada. A bolsa dela estourou às 2h40 da manhã (1º de abril). Chegamos no Hospital dos Estivadores às 3h30. Mais de uma hora para ser chamada para TRIAGEM, enquanto só tínhamos nós na recepção durante todo esse tempo.

Fizeram o primeiro cardiotoco (exame feito durante a gestação para avaliar o bem-estar do bebê e as contrações uterinas da mãe) aproximadamente às 4h20 da manhã. O médico viu que estava somente com um dedo de dilatação, disse que iria internar e induzir o parto por que a bolsa já tinha estourado e ela não estava dilatando o suficiente. Ficamos esperando até 9h10 da manhã para liberar um quarto para ela ficar e durante todo esse tempo entre as 4h20 e 9h10 não monitoraram o bebê mais nenhuma outra vez.

Às 9h10, já no quarto, foi feito outro cardiotoco e achávamos que em seguida já iria iniciar o processo de induzir o parto, o que não foi feito. A indução foi começar a ser feita quase às 13h e mesmo eu indo perguntar preocupada sobre essa espera toda para tomar alguma atitude, ver os sinais do bebe, fui informada que seria totalmente normal.

Às 17h40 da tarde, após dois comprimidos para induzir, estava dilatando só um dedo e meio, decidiram colocar um balão para ajudar na dilatação (que foi colocado torto e ela ficou com ele torto dentro dela durante 8h). Em nenhum momento tinha algum aparelho constantemente ou de hora em hora para monitorar o bebê. Pelo contrário, estavam monitorando de 4 em 4 horas ou mais.

À 00h40, em um dos cardiotocos feitos, minha cunhada observou que os batimentos dele já haviam caído um pouco. Ela avisou que ele não estava mexendo e mais uma vez isso foi visto e tratado com desleixo e naturalidade, como se isso fosse algo normal. Somente às 5h da manhã foram tentar fazer o outro cardiotoco e já era tarde demais. Não acharam o pulso dele e ela foi levada para uma cesariana de emergência. Às 5h53 da manhã do dia 2 de Abril, depois de mais 27 horas que a bolsa teria estourado, o Théo nasceu já sem vida.

Peço a quem puder ajudar, marcar governadores e alguém que possa fazer justiça para que mais nenhuma mãe passe por essa NEGLIGÊNCIA!

Nas fotos a seguir tem alguns prints de muitas pessoas que vieram me contar os absurdos que eles fazem todos os dias no hospital dos estivadores. Denunciem.”

Esta não é a primeira vez que dramas como esse acontecem no Hospital dos Estivadores, gerido pela OS Instituto Social Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que recebeu só no ano passado R$ 174 milhões dos governos Municipal, Estadual e Federal. Tanto aqui no Ataque aos Cofres Públicos como na imprensa em geral, tivemos casos de óbitos de bebês ou de mães, por suspeita de negligência ou erro.

Abaixo listamos mais matérias envolvendo denúncias de ineficiência na gestão do Hospital dos Estivadores pela OS Instituto Social Hospital Alemão Oswaldo Cruz:

 

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CONTRA TODAS AS FORMAS DE TERCEIRIZAÇÃO E PRIVATIZAÇÃO!

Terceirizar os serviços é fragilizar as políticas públicas, colocar a população em risco e desperdiçar recursos valiosos com ineficiência, má administração ou até má fé de entidades privadas.

Disfarçadas sob uma expressão que esconde sua verdadeira natureza, as organizações sociais (OSs), organizações da sociedade civil (OSCs) e oscips e não passam de empresas privadas, que substituem a administração pública e a contratação de profissionais pelo Estado. Várias possuem histórico de investigações e processos envolvendo fraudes, desvios e outros tipos de crimes.No setor da saúde, essas “entidades”, quando não são instrumentos para corrupção com dinheiro público, servem como puro mecanismo para a terceirização dos serviços, o que resulta invariavelmente na redução dos salários e de direitos.

Embora seja mais visível na Saúde, isso ocorre em todas as áreas da administração pública, como Educação, Cultura e Assistência Social. O saldo para a sociedade é a má qualidade do atendimento, o desmonte do SUS, das demais políticas públicas e, pior ainda: o risco às vidas.

Todos estes anos de subfinanciamento do SUS e demais serviços essenciais, de desmantelamento dos direitos sociais, de aumento da exploração, acirramento da crise social, econômica e sanitária são reflexos de um modo de produção que visa apenas obter lucros e rentabilidade para os capitais. Mercantiliza, precariza e descarta a vida humana, sobretudo dos trabalhadores. O modelo de gestão por meio das Organizações Sociais e entidades afins é uma importante peça desta lógica nefasta e por isso deve ser combatido.

Não à Terceirização e Privatização dos serviços públicos!