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Legisla mal, fiscaliza mal: como o oportunismo atrapalha a luta dos trabalhadores

As máscaras dos vereadores santistas que legislam de forma oportunista sempre acabam caindo. É só prestar atenção aos movimentos de cada mandato para entender como eles operam para se manterem no sistema, ao mesmo tempo em que atuam contra os interesses dos trabalhadores.

As últimas posturas do vereador Sérgio Santana (PL) ilustram bem esse movimento. No dia 9 de outubro, seria realizada uma audiência pública para discutir a questão da violência nas escolas. O evento foi marcado após a realização de um ato na Câmara, protagonizado por diretoras de escola e algumas professoras da rede municipal de Santos. A audiência pública seria conduzida por Santana, que é o presidente da Comissão de Segurança da Câmara.

Mas o que chama a atenção é que nenhum representante do Governo e nenhum vereador ou assessor de vereador compareceu. Na hora marcada, além das diretoras só estavam Santana e os funcionários responsáveis por transmitir a audiência. Seria apenas coincidência não aparecer ninguém, mesmo com convites enviados por e-mail às secretarias e gabinetes da Câmara e com as convocações pelo Diário Oficial?

Misteriosamente, a audiência pública foi esvaziada e surgiu uma solução mágica do vereador: ele se propôs a intermediar uma reunião com o prefeito para a semana seguinte. A tal reunião aconteceu no dia 14/10. O vereador que fez a interlocução estava presente e fez o papel lamentável de impedir a entrada do sindicato que representa as servidoras, o Sindserv Santos. Disse que era essa era a condição do governo para ouvir as diretoras.

Além de proselitismo político, esse tipo de prática antissindical e oportunista tem sido cada vez mais adotada por alguns vereadores e membros do governo ao lidarem com as questões que envolvem os servidores.

Eles querem aparecer como agentes que tentam resolver as demandas para saírem bem na foto, porém sempre com acordos rebaixados e sem deliberação da categoria em assembleias. Um paralelismo sindical que em nada contribui para o avanço das pautas.

Além de vedar a presença do sindicato na reunião, Santana não cumpriu com a promessa de que o prefeito estaria presente no encontro. Representantes de secretarias sem expressão política ou poder de decisão da Prefeitura foram destacados para ouvir as reivindicações das educadoras sem qualquer encaminhamento concreto.

Não foi só nesse caso que Santana atuou para se promover e, ao mesmo tempo, se colocar indiretamente contra os trabalhadores. No dia seguinte à reunião fake com o Governo, ele teria aprovado um requerimento de votos de congratulações à vereadora de Praia Grande Eduarda Campopiano (PL), eleita deputada estadual. Seria uma homenagem absurda a uma mulher que diz que não existe feminicídio! A iniciativa só não foi adiante porque houve resistência. Após uma manifestação na Câmara, Santana recuou e retirou o requerimento.

Agora, o difícil é responder:

Como pode alguém valorizar uma mulher que banaliza a violência contra as mulheres defender professores (classe trabalhadora predominantemente feminina) contra violência?

Como um vereador que se diz interessado em resolver a questão da violência escolar pode homenagear uma pessoa que está sendo investigada e processada a pedido do Ministério Público de São Paulo por invadir um sindicato e jogar pés de galinha em professores?

O caso aconteceu em 14 de janeiro. Veja aqui.

Eduarda e mais 14 pessoas invadiram a sede central do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, a APEOESP, na capital paulista. Ela e seus colegas queriam se manifestar contra o reajuste do piso nacional do magistério, índice que ainda não havia sido oficializado.

VEREADORES DE SANTOS, PARA QUEM ELES TRABALHAM?