Conselho de Saúde obedece o governo e aprova terceirização do Hospital dos Estivadores

Conselho de Saúde obedece o governo e aprova terceirização do Hospital dos Estivadores

Charge-Conselho-Conivente_site

O Conselho Municipal de Saúde de Santos (CMSS) mais uma vez lançou mão de subterfúgios para referendar o projeto governista de terceirização em massa dos serviços públicos.

É o que se pode concluir da ata da reunião realizada em novembro do ano passado e publicada no Portal dos Conselhos quase dois meses depois, no último dia 7 de janeiro.

Segundo a ata, o item 12 da plenária ordinária – o penúltimo assunto do dia – tratou justamente da entrega do Hospital dos Estivadores, atualmente em reforma, para uma organização social de saúde.

Quando o tema da ‘publicização’ foi colocado em discussão, dois conselheiros atentaram para o fato de que a contratação de uma OS para o equipamento fere decisão da última Conferência Municipal de Saúde. Uma das resoluções tiradas na Conferência é que a administração municipal mantenha o equipamento exclusivamente com servidores públicos e sem contratados via OSs.

É importante lembrar que o Conselho Nacional de Saúde (CNS) também frisa o caráter 100% público do SUS. Em manifesto público divulgado no ano passado, o CNS repudia a adoção de modelos privatizantes de gestão e pede a revogação das leis que deram origem às Organizações Sociais, às Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público e às Fundações Estatais de Direito Privado.

Já aqui no Conselho Municipal, foi pedido na plenária de novembro que a publicização do Hospital dos Estivadores fosse discutida com a população antes de ser votada. Afinal, trata-se de uma mudança muito significativa gestão de um equipamento público e cercada de dúvidas. Não houve acordo. Segundo a ata da reunião, o presidente do CMSS, Luiz Antonio da Silva, utilizando como vantagem o esvaziamento da reunião, direcionou a decisão aos presentes. Com o quórum já reduzido, a plenária optou por manter o item na pauta.

Houve novo questionamento, desta vez sobre o número de conselheiros presentes. Eram 21 votantes, quando o quórum mínimo deve ser de 22.

De novo foi levada à plenária a deliberação sobre a validade ou não da votação com quórum reduzido. A maioria consentiu e, em poucos minutos, o futuro do Hospital dos Estivadores passou de gestão direta para gestão privada/terceirizada. Pouco mais de uma dúzia de conselheiros decidiram pela Cidade, passando por cima de resoluções de conferências locais e nacionais.

Veja abaixo a ata da plenária:

ata2

População ficou sem saber de nada

Como é de conhecimento público, antes mesmo do Conselho Municipal de Saúde aprovar a chamada ‘publicização’ do Hospital dos Estivadores, o prefeito de Santos, Paulo Barbosa (PSDB), e o secretário de Gestão, Fábio Ferraz, já davam a terceirização do Hospital dos Estivadores como certa.

Porém, foi a partir do fim de 2015, quando ambos já sa-biam que a diretoria executi-va do CMSS havia garantido a aprovação da contratação de uma OS é que as afirmações nesse sentido foram mais contundentes.

Quem não sabia e ainda não sabe nada sobre o assunto é a população, já que a ata da reunião polêmica demorou dois meses para ser oficializada. Coincidência ou não, seu conteúdo foi publica-da no site do Portal dos Con-selhos uma semana antes da inauguração da UPA Central, outra unidade gerida por OS.

Um dos diretores do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (SINDSERV) tentou filmar a referida reunião, mas foi impedido pela diretoria executiva do órgão que deveria primar pela transparência e independência.

Como não pode registrar os encaminhamentos da reunião, o diretor lavrou um Boletim de Ocorrência. O que será que os conselheiros de saúde têm a esconder?

 

Hospital já custou mais de R$ 40 milhões dos cofres públicos e ficará na mão de uma empresa

O Hospital dos Estivadores, adquirido pela Prefeitura no Governo anterior, já consumiu mais de R$ 40 milhões em obras, quase o dobro dos R$ 25 milhões previstos inicialmente para ser reformado. É muito dinheiro público, das três esferas de governo, sendo entregue a uma empresa qualificada como Organização Social, por meio de contratos de gestão que em todo o Brasil revelam ineficiência, encarecimento dos serviços e fraudes diversas.

estivadores2

Equipamentos novos e 223 leitos serão manipulados por profissionais sem qualquer vínculo com o serviço público e com a população usuária.

Quem fiscalizará tudo isso? A Câmara, cuja maioria dos parlamentares trabalha alinhada aos interesses da atual administração e aprovou a Lei das OSs? O CMSS, que funciona como mera peça decorativa do controle social em Santos, aprovando automaticamente tudo o que o Executivo manda?

O futuro do Hospital dos Estivadores será o mesmo dos hospitais públicos do Rio de Janeiro, saqueados por OSs que atuam como quadrilhas da recém descoberta Máfia da Saúde?

Deixe um Comentário

Você precisa fazer login para publicar um comentário.