Em um período de dez meses, R$ 325 mil foram gastos por uma Organização Social de Saúde contratada para administrar um hospital de Niterói, no Rio de Janeiro. Dinheiro que deveria ser investido na qualidade do atendimento, por sinal bastante precário na unidade, conforme mostrou uma reportagem no RJTV nesta segunda (7/3)
Conforme apurou uma comissão da Assembleia Legislativa que investiga contratos com OSs no Estado na saúde, quase R$ 40 mil foram gastos só com táxi, mais R$ 188 mil usados em passagens aéreas e outros R$ 100 mil custearam hospedagens e alimentação para diretores e funcionários da entidade.
Os valores fazem parte do montante que é repassado pelo Governo para a organização social (OS) Sócrates Guanaes, com sede na Bahia, investir no Hospital Estadual Azevedo Lima, na Região Metropolitana do Rio.
Para efeito de comparação a reportagem mostrou que com os R$ 40 mil seria possível rodar 15 mil quilômetros, o que significa fazer uma viagem por, praticamente, todo o Brasil, saindo de Niterói até Belém, no Pará, e passando por todas as capitais do Nordeste brasileiro. Depois, descendo, seguir até o Chuí, no Sul do país e, só então, voltar para Niterói, Região Metropolitana da cidade.
Pelo valor pago em passagens aéreas, hospedagem e alimentação, agências de viagens consultadas informaram que seria possível pegar um avião no Rio de Janeiro e voar para Miami, nos Estados Unidos. De lá, pegar um navio e fazer um cruzeiro de uma semana no mar do Caribe. E isso tudo com mais 15 amigos.
Situação bastante diferente desse aparato estrutural dedicado aos funcionários da entidade vive os pacientes que todos os dias esperam por horas para conseguir atendimento no hospital.
Enquanto os mais de R$ 325 mil são entregues para a OS gastar com viagens, a paciente Natália de Araújo, grávida de oito meses, ouvida pelo telejornal teve de amargar sete horas de espera embaixo de sol quente até conseguir uma vaga de internação. Já perdendo água, ela esperou angustiada ouvindo como resposta que a maternidade estava lotada e sem previsão de atendimento.
“As contrações já começaram. Estou desde às 4h perdendo água. Como eu estou de oito meses [antes Natália tentou atendimento na Maternidade Alzira Reis, no bairro Charitas], eles me mandaram para cá”, reclamou a grávida ao jornal.
Outros absurdos
Com o levantamento dos contratos na Assembleia Legislativa, outros casos envolvendo gastos absurdos do dinheiro público por OSs no Rio de Janeiro chamaram a atenção. O Ataque aos Cofres Públicos mostrou cada um deles. Relembre nos links abaixo:
Organização Social pagou churrascaria de luxo e jantares em boate com dinheiro da Saúde
TCE-RJ entrega à Alerj documentos sobre a ineficiência na fiscalização de OSs
Empresário tentou vender OS por R$ 100 milhões
