Em Hospital terceirizado, mães se revezam para manter setor funcionando

Em Hospital terceirizado, mães se revezam para manter setor funcionando

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Está nos contratos. As Organizações Sociais (OSs) responsáveis pelo gerenciamento das unidades municipais do Rio devem ter provisão (reserva em caixa) para pagamento dos empregados terceirizados.

Não é o que vem acontecendo. Em vários hospitais, há falta de funcionários que ou cruzam os braços ou não conseguem ir ao trabalho por falta de pagamento de benefícios e salários.

Um exemplo: mães de bebês recém-nascidos no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, têm dado expediente na unidade. Elas não vão embora, porque, uma vez que os funcionários estão com os salários atrasados, temem que os filhos fiquem sem os cuidados necessários.

Lá os trabalhadores estão em greve por conta dos salários atrasados  e  apenas 30% da equipe permanece no hospital. Ninguém recebeu o salário de setembro e os médicos ainda não receberam parte do pagamento de agosto.

As OSs dizem que não arcam com as responsabilidades trabalhistas porque não estão recebendo integralmente do Governo. Mas, segundo o prefeito Marcelo Crivella, o problema ocorre por falta de planejamento das próprias OSs, que deveriam manter reservas para momentos como este.

“Todos os recursos previstos para as OSs estão sendo repassados. Todas as organizações devem ter recursos aprovisionados para que possam ser usados em momentos de atraso, para garantir o pagamento do pessoal. O que estamos fazendo é alugar equipamento e comprar remédios de maneira generalizada para todas porque o preço é mais barato e evita atrasos”.

O fato é que no Ronaldo Gazolla o Centro Obstétrico não está funcionando. “Só tem sete crianças na UTI Neonatal. Na sala de parto, quase sempre são feitos 10 a 12 procedimentos. Hoje só teve um. O hospital está praticamente fechando”, lamentou um funcionário no site do G1.

Diante dessa situação, as mães não se sentem seguras.

“A maior preocupação é que não haja rendição. Que os profissionais não façam a troca de plantão por não conseguirem chegar à unidade, já que não têm dinheiro para a passagem, ou não se encontram bem psicologicamente para cuidarem dos pacientes”, explicou Fernanda Pereira, mãe de uma menina prematura internada na unidade.

“Não estamos voltando para casa, ficamos aqui direto. Não sabemos se os profissionais cobrirão os outros na hora da troca de plantão. Nós nos sentimos inseguros”, disse Amália Maria Abreu, mãe de gêmeos prematuros internados no hospital.

Além do Ronaldo Gazolla, funcionários de várias outras unidades da rede municipal estão com os salários atrasados.

A crise na saúde deixa funcionários e pacientes sem saber o que esperar. “Isso aqui não é normal. Esse descaso não é normal”, afirmou um dos funcionários.

 

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