Em resistência ao projeto tucano de transformar o Hospital Campo Limpo de São Paulo em mais uma fonte de lucro fácil a empresas travestidas de Organizações Sociais, servidores do Hospital Campo Limpo fizeram um protesto na tarde desta terça (14).
A manifestação foi contra privatização da gestão da unidade para a organização social (OS) Hospital Israelita Albert Einstein, que segundo o Governo de Bruno Covas, está marcada para a partir de 1º de agosto.
O ato ocupou com faixas e cartazes duas pistas da Estrada de Itapecerica da Serra, sentido do Terminal João Dias.
Os profissionais dizem que a Prefeitura de São Paulo tomou a decisão de forma unilateral. A entrega da gestão envolve o Pronto-Socorro, UTI Adulto e Pediátrica, centro cirúrgico, clínicas ortopédica e médica, leitos da internação e atendimentos ambulatoriais.
Ninguém sabe para onde será transferido. Outro questionamento é que os milhões a serem investidos em um contrato de gestão poderiam ser revestidos na melhor estruturação do prédio e na ampliação das equipes para garantir a melhor qualidade dos serviços.
Os trabalhadores denunciam que os últimos governos estão há 10 anos sem investir no Hospital, numa escolha consciente de deixar a unidade sucateada ao máximo para então justificar a contratação de uma empresa para fazer a administração.
Experiências semelhantes tanto na Capital quanto nas demais cidades paulistas e de todo o Brasil mostram que a terceirização/privatização só é positiva para os empresários e gestores mau intencionados. Desvios de recursos e muita incompetência marcam sempre as gestões compartilhadas com o chamado “terceiro setor” na Saúde.
A região do Campo Limpo é o único público da região e atende cerca de 650 mil pessoas. A unidade é referência da Zona Sul para ortopedia, neurocirurgia e saúde mental.
Porque a terceirização é nefasta
Os contratos de terceirização na Saúde e demais áreas, seja por meio de organizações sociais (OSs), seja via organizações da sociedade civil (OSCs) são grandes oportunidades para falcatruas pelo encontro de intenções entre administradores dispostos a se corromper e prestadores que montam organizações de fachada para estruturar esquemas de ganhos ilegais para ambas as partes.
As fraudes proliferam pela existência de corruptos e corruptores, em comunhão de objetivos, mas também pela facilidade que esta modalidade administrativa propicia para a roubalheira. Gestões compartilhadas com OSs e termos de parceria com OSCs não exigem licitações para compras de insumos. As contratações de pessoal também tem critérios frouxos, favorecendo o apadrinhamento político.
A corrupção, seja de que tipo for, é duplamente criminosa, tanto pelo desvio de recursos públicos já escassos quanto pela desestruturação de serviços essenciais como o da saúde, fragilizando o atendimento da população em pleno período de emergência sanitária.
Lucro acima da vida
Todos estes anos de subfinanciamento do SUS, de desmantelamento dos demais direitos sociais, de aumento da exploração, acirramento da crise social, econômica e sanitária são reflexos de um modo de produção que visa apenas obter lucros e rentabilidade para os capitais. Mercantiliza, precariza e descarta a vida humana, sobretudo dos trabalhadores. O modelo de gestão da Saúde por meio das Organizações Sociais é uma importante peça desta lógica nefasta e por isso deve ser combatido.
Não à Terceirização e Privatização da Saúde Pública! Em defesa do SUS 100% Estatal e de Qualidade!