EMPRESA TERCEIRIZADA PELA PREFEITURA DE SANTOS DÁ CALOTE EM FUNCIONÁRIOS QUE ATUAM NA SEGURANÇA DAS ESCOLAS

EMPRESA TERCEIRIZADA PELA PREFEITURA DE SANTOS DÁ CALOTE EM FUNCIONÁRIOS QUE ATUAM NA SEGURANÇA DAS ESCOLAS

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A terceirização de serviços públicos, especialmente na Educação, é sinônimo de precarização tanto para os trabalhadores quanto para os usuários.

Quando uma empresa privada assume funções que deveriam ser executadas por servidores contratados, o lucro acaba sendo priorizado em detrimento da qualidade e do bem-estar social. Além disso, sabemos que a terceirização aumenta o risco de ampliação de currais eleitorais à serviço dos grupos políticos que detém o poder nas cidades e nos estados.

Hoje, 3/2, a imprensa santista voltou a noticiar problemas ligados a esse tipo de contratação, no que tange à segurança das 40 escolas pertencentes à rede municipal. Veja abaixo a matéria do Jornal Diário do Litoral:

Trabalhadores terceirizados de escolas em Santos denunciam atraso de salários e falta de benefícios

Trabalhadores terceirizados que prestam serviços de segurança em cerca de 40 escolas municipais de Santos procuraram à reportagem do Diário do Litoral para prestar queixas sobre uma situação de extrema vulnerabilidade e descaso. Segundo os relatos, os funcionários estão há cinco meses sem receber vale-refeição, cesta básica e vale-transporte.

Além disso, os profissionais relatam que o salário referente ao mês de dezembro de 2025 ainda não foi depositado, embora o quinto dia útil tenha passado há quase três semanas. “A empresa nos obriga a ir trabalhar a pé e estamos sendo coagidos a cumprir escala mesmo sem pagamento”, afirmou um dos denunciantes.

A crise atinge unidades escolares desde o Centro até a Zona Noroeste. Ainda segundo os trabalhadores, a empresa Ipiranga Segurança Patrimonial Ltda. mantém o contrato com a Prefeitura desde 2021, apesar de recorrentes falhas operacionais. A denúncia já foi levada ao Ministério Público e ao sindicato da categoria, mas os funcionários alegam que o contrato não foi rescindido e que as contas básicas, como aluguel e alimentação, seguem atrasadas sem uma solução definitiva por parte da Secretaria de Educação de Santos (Seduc).

Resposta da Seduc
Procurada pelo Diário, a Seduc afirmou que está ciente da denúncia de atrasos salariais e disse que a empresa já foi oficialmente notificada por descumprimento de cláusulas contratuais. A pasta esclareceu que, por determinação da Procuradoria Geral do Município, os repasses financeiros à empresa estão retidos. O pagamento só poderá ser liberado quando a Ipiranga comprovar a quitação das obrigações trabalhistas e previdenciárias de seus colaboradores.

Até o momento, a empresa apresentou apenas parte da documentação exigida pela Seduc. Enquanto o impasse burocrático entre a prefeitura e a contratada continua, os seguranças permanecem sem previsão de recebimento. “Como ficamos com o aluguel atrasado e passando necessidade?”, questionam os trabalhadores, que pedem uma intervenção direta para garantir o pagamento imediato dos atrasados e a regularização dos benefícios essenciais.

A reportagem do DL também entrou em contato com a empresa Ipiranga Segurança Patrimonial Ltda, porém ainda não obteve retorno. O espaço ficará aberto para eventuais notas de esclarecimentos.

Os Perigos da Terceirização na Educação
A entrada de empresas privadas no ambiente escolar traz riscos estruturais que afetam o cotidiano das unidades de ensino. Alguns impactos:

Ruptura de Vínculos Afetivos: Nas escolas, todos os funcionários (da merenda à limpeza) são educadores. A alta rotatividade de funcionários terceirizados impede a criação de laços de confiança com as crianças, essenciais para o desenvolvimento infantil.

Precarização do Trabalho: É comum o atraso de salários, falta de benefícios (como vale-transporte) e ausência de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Queda na Qualidade: A redução de custos pode levar ao uso de insumos de menor qualidade e à sobrecarga de funcionários, impactando diretamente serviços sensíveis como a alimentação escolar e o apoio à inclusão.

Exemplos em Santos
Santos tem sido um palco frequente de problemas decorrentes desse modelo. Relatos recentes e históricos mostram como a terceirização fragiliza o sistema:.

Educação Especial e Inclusiva: Em 2023, pais e mediadores realizaram protestos contra a terceirização da Educação Especial. As denúncias apontavam que a substituição de profissionais concursados por terceirizados (muitas vezes com menos formação e alta rotatividade) gerou insegurança para alunos com deficiência, chegando ao caso grave de uma criança que saiu da escola sem que a equipe percebesse.

Irregularidades em Convênios (ASACAR): No início de 2026, funcionários de creches conveniadas em Santos (modelo de terceirização via Organizações da Sociedade Civil) relataram falta de pagamento. Além disso, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) já julgou irregulares termos de fomento milionários entre a prefeitura e entidades, citando falta de clareza nos objetivos pedagógicos e falhas na fiscalização.

Terceirização das Cozinhas: Comunidades escolares, como a da UME Profª Margareth Buchmann, têm se mobilizado contra a terceirização das cozinhas, defendendo que “cozinha também é território educativo” e que a entrega do serviço a empresas rompe a relação de cuidado com as restrições alimentares e o afeto no preparo das refeições.

Em resumo, a experiência em Santos demonstra que a terceirização transfere a responsabilidade pública para entidades privadas que não conseguem garantir a continuidade do serviço, resultando em paralisações, greves e judicialização constante. Dinheiro público indo para o ralo e gerando precarização!