DENÚNCIA DE RACISMO E GORDOFOBIA CONTRA PACIENTE NA UPA DA ZN: ‘CABELO DURO E FEDIDO’

DENÚNCIA DE RACISMO E GORDOFOBIA CONTRA PACIENTE NA UPA DA ZN: ‘CABELO DURO E FEDIDO’

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Reportagem do Jornal A Tribuna desta segunda, 16, traz um caso triste e revoltante. Uma jovem de 22 anos, que preferiu não ser identificada, registrou boletim de ocorrência (BO) após relatar ter sofrido racismo, constrangimento e tratamento desumano enquanto estava internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste, em Santos, no litoral de São Paulo.

A unidade é comandada pela organização social ficha suja InSaúde, por R$ 33,5 milhões ao ano (veja aqui).

O caso aconteceu na quinta-feira (12) e foi registrado como injúria, com encaminhamento para o 5° Distrito Policial (DP) de Santos. Veja abaixo um trecho da matéria que detalha a situação:

A jovem afirmou que estava internada na unidade de saúde após dar entrada na madrugada de domingo (8), Dia Internacional da Mulher, com forte dificuldade para respirar. Segundo ela, a saturação de oxigênio estava em 85% e não subia mesmo com medicação. Após exames, foi diagnosticada com pneumonia no pulmão direito e alterações no sangue, sendo necessária a internação.

Comentários ofensivos
A operadora de caixa relatou que o episódio ocorreu na manhã de quinta-feira (12), por volta das 8h, quando estava internada no leito 4 da unidade. Segundo ela, após o médico de plantão comentar que possivelmente teria alta naquele dia, uma técnica de enfermagem teria feito comentários ofensivos.

De acordo com o boletim de ocorrência (BO), a profissional de saúde teria afirmado que o braço da paciente era “muito fofinho” e que não conseguia medir sua pressão. Em seguida, teria comentado que isso ocorreria porque a jovem “comia muito doce”, fazendo referência ao alimento que ela estava consumindo naquele momento.

A vítima disse que a técnica de enfermagem chegou a procurar doces dentro de sua mochila e, ao ser questionada se queria um, respondeu que não porque utilizava o medicamento Mounjaro, passando a mão pelo próprio corpo e sugerindo que a paciente deveria parar de comer.

Ainda segundo a operadora de caixa, a funcionária da UPA também teria feito comentários sobre seu cabelo. “Ela disse que seria bom eu receber alta para lavar meu cabelo duro, que estava todo embolado e fedido”, relatou.

Reclamação à coordenação
Após o episódio, a paciente afirmou ter procurado o médico de plantão para relatar o ocorrido. O profissional teria acionado a coordenação da unidade de saúde. Ainda durante a conversa com a chefia de enfermagem, a técnica teria admitido os comentários, mas alegado que tudo teria sido “apenas uma brincadeira”.

A jovem disse que gravou parte da conversa e que, após a reclamação, passou a sentir hostilidade por parte da equipe. “As enfermeiras praticamente deixaram de ir até o meu leito”, afirmou.

Ela também relatou que tentou obter o sobrenome completo da profissional e o número de registro no Conselho Regional de Enfermagem (Coren), além de pedir acesso ao próprio prontuário médico, mas disse que os pedidos foram negados.

Paciente denunciou injúrias sofridas enquanto estava internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste, em Santos.

Saída da unidade
Ainda segundo a paciente, por se sentir insegura no local e por não ter direito a acompanhante, decidiu pedir alta da unidade. Durante o processo, segundo ela, uma técnica de enfermagem do plantão da noite disse que poderia ir embora, mas que não retiraria o cateter intravenoso. “Ela disse que se eu quisesse poderia tirar sozinha”, contou.

A paciente acrescentou que pesquisou na internet e informou à funcionária que o procedimento deveria ser feito por um profissional para evitar risco de infecção. Após isso, sua mãe entrou em contato com a coordenação da UPA.

A jovem deixou a unidade por volta das 21h30 daquele dia. Segundo ela, não recebeu seus exames ou histórico de atendimento no momento da saída e precisou assinar documentos que, conforme relata, não lhe foram entregues.

Ela também afirmou que deixou a unidade de saúde sem estar totalmente recuperada, ainda com níveis baixos de potássio no sangue.

Denúncias
Além do boletim de ocorrência (BO), a vítima informou que registrou denúncias na Ouvidoria e no Conselho Regional de Enfermagem (Coren). “Decidi tornar o caso público, porque ninguém deveria passar por racismo ou ser tratado dessa forma dentro de um ambiente de saúde, especialmente estando vulnerável”, lamentou a jovem.

Posicionamentos
Em nota, a Prefeitura de Santos informou que a “ocorrência será apurada junto à organização social responsável pela gestão da UPA da Zona Noroeste. A secretaria de Saúde enfatiza que não compactua com quaisquer ações discriminatórias, primando pelo atendimento humanizado em todas as suas unidades próprias e conveniadas”.

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso foi registrado como injúria, conforme o artigo 140 do Código Penal e que foi encaminhado para a delegacia da área.

Veja abaixo algumas matérias que publicamos aqui no Ataque envolvendo problemas com essa organização social:

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