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A ELITE NO PODER E O CARÁTER DE CLASSE DA CÂMARA DE SANTOS EXPRESSOS NAS RUAS DA CIDADE

O veto ao Projeto de Lei nº 115/2025, no dia 26 de maio, explicita como a Câmara de Vereadores de Santos atua como um instrumento político das classes dominantes, perpetuando o apagamento histórico da população negra e trabalhadora para proteger a narrativa e a memória da burguesia local.

Servidão ao Poder Econômico: A bancada de direita e extrema direita — que domina o município há três décadas — ignorou quatro pareceres técnicos favoráveis das comissões internas para derrubar a proposta de renomear a Rua Tiro Onze para Rua Chaguinhas. Chaguinhas foi um cabo negro executado em 1821 por liderar uma revolta de soldados pobres e negros por igualdade salarial e tratamento justo.  O projeto é de autoria do vereador Chico Nogueira (PT).

Dois Pesos e Duas Medidas (O Caso Guaiaó): Essa subserviência ao capital fica escancarada ao resgatar a postura radicalmente diferente que a mesma Câmara adotou em junho de 2023. Naquela ocasião, por iniciativa do próprio vereador Sérgio Santana (PL) (que se ausentou na hora da votação sobre a Rua Chaguinhas), o legislativo não viu qualquer obstáculo para aprovar a iniciativa. A toque de caixa, a medida apagou o nome original da Rua Guaiaó — termo indígena ancestral que dava nome à própria Ilha de São Vicente — para rebatizá-la como Alameda Armênio Mendes.

Aliás, semanas antes a Câmara aprovou e o prefeito sancionou um Projeto de Emenda à Lei Orgânica justamente para dar plenos poderes aos vereadores de conferirem e alterarem denominação de próprios, vias e logradouros públicos. O autor do projeto? Adilson Jr (PP, 4º Mandato), líder do Governo e amigo próximo da família Mendes. Saiba mais aqui. Um nítido proselitismo político para homenagear um dos maiores e mais poderosos mega empresários da construção civil da região.

Manutenção da Hegemonia Cultural: quando se trata de uma elite empresarial os nomes de ruas são alterados sem pudor e rapidamente. Quando se trata de reparar a história do povo preto e trabalhador, os vereadores que representam os interesses dos poderosos trabalham para manter a invisibilização. Veja na imagem os nomes dos que decidiram, com argumentos frágeis, silenciar a memória de Francisco José das Chagas.

Em mais um episódio, o parlamento reafirma o racismo estrutural ao assegurar que apenas os detentores do grande capital tenham direito ao protagonismo no mapa oficial da cidade.

O Cenário de Votação 

O projeto de reparação histórica a Chaguinhas foi defendido isoladamente pela bancada progressista (Chico Nogueira, Doutor Marcos Caseiro, Chita Menezes e Débora Camilo), enquanto os vereadores Benedito Furtado e Sérgio Santana se ausentaram, consolidando o controle e os interesses da maioria governista sobre os rumos da história santista.