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HIPOCRISIA? VEREADORES DEFENSORES DA TERCEIRIZAÇÃO DA SAÚDE MANDAM REQUERIMENTOS SOBRE CAOS NA UPA E NO AMBESP DE SANTOS
Pode chamar de hipocrisia, demagogia, encheção de linguiça, teatro… Muitos podem ser os nomes para uma mesma contradição: vereadores defensores ou pertencentes a partidos entusiastas da terceirização e publicização dos serviços públicos mandam requerimentos pedindo explicações sobre o caos que tomou conta nas unidades de saúde comandadas por empresas.
Hoje trazemos alguns nomes como Cacá Teixeira (PSDB), Benedito Furtado (PSB), Adilson Júnior (PP) e Allison Sales (PL). Mas eles não são os únicos no Legislativo de Santos que agem assim. Fingem que estão chateados com o mau serviço prestado pelas OSs, mas não se posicionam enfaticamente pela suspensão deste modelo e pelo investimento na gestão direta dos serviços. Não atacam o problema na raiz. Alguns até publicamente defendem a terceirização. Veja:
Benedito Furtado
Está mandando requerimento ao prefeito sobre a demora absurda e a falta de assentos na UPA da Zona Noroeste. No entanto, não defende o fim da terceirização milionária que já abocanhou, em 10 anos, R$ 1,8 bilhões do orçamento da Saúde, por exemplo. E porque? É simples: o partido de Furtado, o PSB, ocupa a Secretaria de Saúde e o titular da pasta, Fábio Lopez, que é presidente do PSB, também defende esse modelo de gestão terceirizada na urgência e emergência.
Hoje Furtado é defensor ferrenho da terceirização das cozinhas escolares e da extinção de outros cargos na Prefeitura de Santos. Mesmo partido, mesmo governo, mesma lógica de entregar a Saúde e mais áreas para as Organizações Sociais (OSs), que geram falta de transparência e piora no atendimento.
Cacá Teixeira
Este é líder do Governo na Câmara. Se o prefeito disser que a lua é quadrada ele vai corroborar e dizer que respeita a opinião dos que dizem que ela é redonda. Ex- secretário de Assistência Social da gestão de João Paulo Tavares Papa, Cacá foi um dos soldados do ex-prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) em 2013, na época em que a Lei das OSs foi formulada e aprovada na Câmara.
Ele votou SIM para entrega da urgência e emergência e ajudou a convencer seus pares a aprovarem também a lei que abriu a porteira para a terceirização e quarteirização do SUS. Depois, foi agraciado com cargos de secretário de Gestão, entre 2017 e 2020. Hoje ele é defensor ferrenho da terceirização das cozinhas escolares e de outros cargos na Prefeitura de Santos.
Adilson Júnior
É presidente da Câmara, faz parte da base aliada do prefeito Rogério Santos e também foi algumas vezes líder de Governo no Legislativo deste mesmo grupo político. Grupo que ampliou drasticamente os gastos com OSs. Só na Saúde, em 2025, o gasto já passa dos R$ 306 milhões, incluindo OSs, OSCs e Oscips.
Ele jamais defendeu o fim da terceirização da Saúde. Pelo contrário, seu partido defende esse modelo como programa.
Allison Sales (PL)
Integra a oposição à direita do prefeito Rogério Santos. Seu partido defende como programa a entrega da Saúde e demais áreas para a iniciativa privada, em nome da falácia da eficiência e modernização das políticas públicas.
Como hoje Allison é oposição, ele está sempre mostrando as mazelas no atendimento das UPAs e do Ambesp. Porém, não critica o cerne da bandalheira que é a destinação de frações cada vez maiores das políticas públicas à lógica do lucro para empresas amigas dos governos.
VEREADORES DE SANTOS, PARA QUEM ELES TRABALHAM?



