Saiu nas redes sociais e também reverberou na Câmara novos relatos sobre falta de materiais básicos, morte suspeita de negligência e demora no atendimento nas UPAs de Santos, terceirizadas pela Prefeitura para as Organizações Sociais de Saúde (OSs).
Alguns vereadores, provocados por denúncias de usuários e por postagens nas redes sociais, enviaram requerimentos ao Governo pedindo explicações. Sabemos que esse tipo de iniciativa é irrelevante, para não dizer inútil. Quando utilizada pelos membros da base do prefeito, essa ferramenta tem ainda outra qualificação: hipocrisia. Ou seja, uma maneira de fazer o eleitor achar que o parlamentar está fazendo o seu trabalho de fiscalizar.
Um dos requerimentos de vereadores governistas com esse teor vem do líder do Governo, Cacá Teixeira (PSDB). Ele, que sempre defendeu a política reacionária e liberal do grupo político que se mantém no poder, que sempre disse não ter motivos para duvidar da eficiência do modelo de gestão por OSs, agora diz que a situação nas UPAs terceirizadas é preocupante.

Se admite que o cenário traz preocupação, por que não pede a revogação da lei que autorizou a entrada das OSs em Santos?
Falta tudo
Falta o básico nas unidades controladas por empresas que faturam, juntas, R$ 85 milhões ao ano. Faltam também dignidade e eficiência no atendimento e fiscalização do uso do dinheiro do SUS.
Na UPA da Zona Noroeste, uma mulher morreu por conta da demora para uma vaga de internação. De acordo com o Governo do Estado, a UPA demorou quatro dias para fazer a solicitação da vaga no sistema Cross.
Na UPA da Zona Leste, familiares de um paciente de 90 anos, com Alzheimer, que deu entrada em caráter de emergência na UPA da Zona Leste, dizem que o idoso permaneceu por mais de 10 horas na unidade e, posteriormente, foi encaminhado para um quarto que não dispunha sequer de lençol e travesseiro.
Diante da falta de condições mínimas de acomodação, a família precisou improvisar: uma mochila foi utilizada como travesseiro e uma toalha como lençol, sendo que o cobertor utilizado pelo paciente também havia sido levado pela própria família.

Há denúncias também de falta de segurança na mesma unidade. Os funcionários trabalham com medo e relatam ter sofrido ameaças. É o que diz o requerimento do vereador Marcos Caseiro (PT).
Na UPA da Central, segundo postagem da página Moro em São Vicente e Região, trabalhadores e usuários relatam falta de materiais de higiene e assepsia, falta de lençois para pacientes, questionam sobre a transparência do banco de horas e denunciam possíveis privilégios envolvendo pessoas ligadas à direção.
CONTRA TODAS AS FORMAS DE TERCEIRIZAÇÃO E PRIVATIZAÇÃO!
Como se vê, terceirizar os serviços é fragilizar as políticas públicas, colocar a população em risco e desperdiçar recursos valiosos com ineficiência, má administração ou até má fé de entidades privadas.
Disfarçadas sob uma expressão que esconde sua verdadeira natureza, as organizações sociais (OSs), organizações da sociedade civil (OSCs) e oscips e não passam de empresas privadas, que substituem a administração pública e a contratação de profissionais pelo Estado. Várias possuem histórico de investigações e processos envolvendo fraudes, desvios e outros tipos de crimes.
No setor da saúde, essas “entidades”, quando não são instrumentos para corrupção com dinheiro público, servem como puro mecanismo para a terceirização dos serviços, o que resulta invariavelmente na redução dos salários e de direitos.
Embora seja mais visível na Saúde, isso ocorre em todas as áreas da administração pública, como Educação, Cultura e Assistência Social. O saldo para a sociedade é a má qualidade do atendimento, o desmonte do SUS, das demais políticas públicas e, pior ainda: o risco às vidas.
Todos estes anos de subfinanciamento do SUS e demais serviços essenciais, de desmantelamento dos direitos sociais, de aumento da exploração, acirramento da crise social, econômica e sanitária são reflexos de um modo de produção que visa apenas obter lucros e rentabilidade para os capitais. Mercantiliza, precariza e descarta a vida humana, sobretudo dos trabalhadores. O modelo de gestão por meio das Organizações Sociais e entidades afins é uma importante peça desta lógica nefasta e por isso deve ser combatido.
Não à Terceirização e Privatização dos serviços públicos!