As mazelas da terceirização irresponsável na saúde de Santos refletem até mesmo no trabalho do Corpo de Bombeiros.
Como se já não bastassem os conhecidos problemas causados pela demora e sucateamento do SAMU de Santos, o Governo de Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) tem que responder à população sobre mais um enrosco envolvendo a retenção das macas das viaturas dos Bombeiros pela Fundação do ABC, organização social (empresa terceirizada) contratada para gerenciar a UPA Central.
A OS simplesmente não tem macas para receber seus pacientes. Que não tem cadeiras de rodas, já denunciamos aqui várias vezes. Mas, pelo visto, não há também macas. O que afinal a empresa faz com os quase R$ 20 milhões por ano que a Prefeitura repassa?
A situação foi tema de reportagem de A Tribuna Digital, publicada nesta segunda-feira (22).
O pior é que este problema não é novo. Em fevereiro deste ano, a mesma A Tribuna denunciou situação semelhante (leia aqui). Em 15 de fevereiro, uma quarta-feira, quatro viaturas do SAMU ficaram impossibilitadas de continuar atendendo chamados nas ruas porque as macas ficaram “presas” na UPA, com pacientes em espera de atendimento. Tudo porque a unidade não dispunha de camas ou macas extras.
Clique aqui para ir direto para a matéria desta segunda-feira (22) ou leia abaixo a íntegra:
Bombeiros esperam por mais de 30 minutos devolução de macas na UPA Central
Fundação do ABC confirma uma demora de cerca de 20 minutos e justifica o problema com a superlotação da unidade
Duas, das três viaturas de socorro do Corpo de Bombeiros, ficaram mais de 30 minutos paradas em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central de Santos, entre as 14h30 e 15h30 desta segunda-feira (22). O motivo: as macas em que as vítimas chegaram demoraram para serem devolvidas.
Segundo um profissional, que trabalha no local e não quis se identificar, a justificativa para a retenção do equipamento foi a falta de mais macas. Todas já estariam em uso.
A Tribuna On-line entrou em contato com o Corpo de Bombeiros para confirmar a informação de que as macas só teriam sido liberadas após a ida do comandante da corporação até a unidade, mas não obteve resposta para o questionamento.
Sem as macas, bombeiros não puderam deixar a UPA Central (Foto: Carlos Nogueira/AT)
O mesmo trabalhador disse, ainda, que, muitas vezes os oficiais levam as vítimas à UPA Central, mas são orientados a levar ao Pronto-socorro Central (ao lado da Santa Casa). De acordo com a Prefeitura de Santos, pacientes são encaminhados ao PS Central apenas quando a sala de emergência está lotada.A Administração Municipal ressalta, também, que o setor de emergência do antigo PS Central funciona “como retaguarda da rede de pronto atendimento e que a medida é sempre comunicada previamente às corporações de atendimento de urgência/emergência”.
Respostas
A Secretaria de Saúde do Município informa que não há registros de retenção de macas dos Bombeiros, mas que vai apurar o caso com a gestora da unidade. A Fundação do ABC, responsável pela UPA Central, confirmou que ficou com as macas por aproximadamente 20 minutos.
Segundo a entidade, a sala de emergência da unidade estava superlotada e, portanto, foi solicitado o desvio de novos casos de Clínica Médica ao PS Central, o que “é procedimento padrão em situações excepcionais”.
Porém, ao contrário do que foi pedido, a Fundação do ABC destaca que o Corpo de Bombeiros continuou a encaminhar novos casos à UPA, inclusive de traumas leves, sem classificação de urgência e emergência.
“Por essa razão, a equipe da UPA precisou readequar sua logística interna em meio aos atendimentos urgentes e a liberação das macas dos Bombeiros”.

