Quatro presos envolvidos na Operação “Cash Back”, da Polícia Federal, que investiga desvio de recursos públicos destinados à saúde no Amazonas, já estão soltos.
André Luis Barreto Becil, Sérgio Roberto Melo Bringel, Yuri Ferreira Sabá e Wecyscley Acedo de Oliveira foram liberados em decisão do Tribunal Regional Federal 1 (TRF-1), que aceitou, no domingo (14), os pedidos de liberdade por habeas corpus.
O quarteto, que estava detido com prisão temporária no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), desde a última quinta-feira (11), dia da deflagração da Operação.
A “Operação Cashback” investiga a prática de crimes de peculato, lavagem de capitais e organização criminosa. É um desdobramento da Operação Maus Caminhos, que escandalizou o estado e o país por conta dos desvios de grande monta via contrato com a organização social Instituto Novos Caminhos.
De acordo com Polícia Federal, esta última operação é resultado da perícia realizada em celulares e computadores dos suspeitos identificados na “Maus Caminhos”, que identificou trocas de mensagens entre os investigados e descobriu mais empresários, advogados e políticos envolvidos no esquema de corrupção, com falsificação de notas fiscais, empresas fantasmas e lavagem de dinheiro.
Nesta nova fase os alvos são, ao menos, 30 empresas que não tinham sido investigadas nas outras etapas da operação. O grupo detém cerca de 90% dos contratos do estado e teria emitido R$ 100 milhões em notas fiscais frias.
De acordo com a PF, o principal crime identificado é de peculato, que consiste na apropriação de dinheiro público.
O grupo teria ligação com o empresário e médico Mohamed Mustafá – dono da OS Instituto Novos Caminhos e apontado como chefe esquema. Conforme a investigação, ele ganhava licitações para prestar serviços em troca de pagamento de propina a políticos e funcionários públicos. O médico está em liberdade por causa de um habeas corpus.
Cash Back
A “Operação Cashback” foi deflagrada na última quinta-feira (16) com o cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva e outras ordens judiciais. , com objetivo de investigar a prática de crimes de peculato, lavagem de capitais e organização criminosa. Os delitos, segundo a PF, foram praticados por empresários que forneciam produtos e serviços à organização social não alcançados na primeira fase da operação Maus Caminhos, em 2016.
A PF apurou que, dentre as fraudes identificadas, o modus operandi utilizado pela organização criminosa para desviar recursos públicos consistia na realização de pagamentos superfaturados, em preço e/ou quantidade, com a posterior devolução de parte do valor pago. Por essa razão, o nome da operação faz alusão ao modelo de compras que devolve parte do dinheiro ao consumidor.
Apenas em um dos contratos dessas empresas com o Estado do Amazonas, no valor de R$ 552 milhões, foi identificada fraude no valor de R$ 140 milhões. As medidas, 16 mandados de prisão temporária e 40 mandados de busca e apreensão, além de mandados de bloqueios de contas e de sequestro de bens móveis e imóveis, foram expedidas pela Justiça Federal, após manifestação do Ministério Público Federal e cumpridas por 150 policiais federais.
Fiscalizações e auditorias complementares foram realizadas pelos órgãos técnicos. De acordo com a Receita Federal, existem indícios de fraudes fiscais da ordem de R$ 100 milhões, cujas autuações podem alcançar R$ 75 milhões. Segundo a Controladoria Geral da União (CGU), foram identificados desvios de recursos públicos da ordem de R$ 142 milhões.
