É muito raro que se investigue a fundo as complexas redes de corrupção que geralmente estão por trás dos contratos de terceirização dos serviços públicos para empresas qualificadas como organizações sociais (OSs). É raro porque porque os órgãos especializados de controle e investigação são poucos ou nem sempre estão realmente dispostos a ir até o fim.
Quando isso acontece e a investigação começa a ir a fundo nas várias conexões envolvidas, acaba ocorrendo aquilo que o ditado popular diz a respeito de tudo o que não cheira bem: “quanto mais mexe, mais fede”.
No caso do escândalo do Hospital Ouro Verde, em Campinas (SP), tem sido assim. A Operação Ouro Verde completa um ano de investigações trazendo à tona vários desdobramentos ilícitos da gestão da OS Vitale. As irregularidades estão resvalando em outras cidades do interior paulista.
Nesta segunda (10), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) descobriu um caso suspeito de corrupção na área da saúde em Várzea Paulista (SP). As investigações apontaram que a organização social Vitale, que administra unidades de saúde no município, pagou propina para dois secretários municipais.
Gravações reveladas pelos promotores do Gaeco mostram os diretores da Vitale em depoimento de delação premiada. Eles detalham como funcionava o esquema criminoso, que desviava recursos públicos da saúde em diversas cidades do interior de São Paulo.
Um dos funcionários da organização social, Paulo Câmara, afirma que pagava propina para agentes públicos de vários municípios. Os secretários de Saúde e de Comunicação de Várzea Paulista foram citados no depoimento.
Veja aqui o video na reportagem da TV Tem
Histórico
A investigação começou em novembro de 2017, em Campinas (SP). A Vitale, que administrava o Hospital Ouro Verde e não deveria ter qualquer fim lucrativo, foi acusada de envolvimento com um grupo criminoso responsável por desvios de verbas da saúde.
Em três fases, a Operação Ouro Verde já prendeu dezenas de agentes públicos, empresários e lobistas. A polícia fez buscas e apreendeu carros de luxo, dinheiro vivo e muitos documentos. Até agora, os promotores acreditam que os desvios renderam à quadrilha R$ 7 milhões.
Em Várzea Paulista, a OS administra a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) desde 2016. As delações trouxeram mais pistas e provas, que estão sendo investigadas.
Em nota, a Prefeitura de Várzea Paulista disse que a análise do trecho editado da delação inviabiliza a adoção de medidas imediatas.
Além disso, explicou que, apesar dos problemas que envolvem a Vitale em outros municípios, em Várzea Paulista até o momento nenhuma denúncia ou indício de irregularidade foi apontado na concorrência pública, bem como na execução do contrato com a empresa investigada até a presente data.
