SP TERÁ CPI PARA INVESTIGAR SUSPEITAS DE DEVIOS POR OSs NA PANDEMIA

SP TERÁ CPI PARA INVESTIGAR SUSPEITAS DE DEVIOS POR OSs NA PANDEMIA

camarasp

 

Na esteira da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid que corre no Senado e mira o governo de Jair Bolsonaro, a Câmara de São Paulo conseguiu aprovar a abertura de uma comissão que deve apurar a condução do combate à pandemia na capital.

Nesta terça-feira (4), os vereadores conseguiram obter o número mínimo de assinaturas para dar início ao processo.

De acordo com o documento que oficializa a abertura da CPI, a comissão tem por “finalidade investigar e apurar a responsabilidade do Executivo municipal no enfrentamento” da Covid-19 nas áreas de saúde, educação e assistência social, em especial nas questões relacionadas a contratos de emergência firmados via organizações sociais.

No requerimento que embasa o pedido de instalação da CPI, a justificativa é clara: “possíveis irregularidades em contratos, fraude em licitações, superfaturamentos, desvio de recursos públicos, assinatura de contratos com empresas de fachada para prestação de serviços genéricos ou fictícios, entre outros ilícitos”. O pedido de abertura ainda acrescenta a precarização de serviços e equipamentos públicos como motivos para a apuração no Legislativo.

Contratos com a organização ficha suja Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) embasam o pedido. Essa mesma entidade privada, cujo contrato com a Prefeitura já foi alvo de investigação, foi também umas das OSs pivôs do processo de impeachment do ex-governador do Rio, Wilson Witzel. O Iabas foi contratado de forma emergencial para a construção e gestão de hospitais de campanha no ano passado e não entregou os equipamentos. Dos sete hospitais previstos para abril de 2020, com uma verba superior a R$ 830 milhões, só um, o
do Maracanã, foi entregue, e funcionou apenas parcialmente.

OSs e terceirização são retrocesso

Mais uma vez fica claro a quem e a qual objetivo a terceirização e privatização da saúde pública servem.

Disfarçadas sob uma expressão que esconde sua verdadeira natureza, as OSs não passam de empresas privadas em busca de lucro fácil, que substituem a administração pública e a contratação de profissionais pelo Estado. Várias possuem histórico de investigações e processos envolvendo fraudes, desvios e outros tipos de crimes.

No setor da saúde, essas “entidades”, quando não são instrumentos para corrupção com dinheiro público, servem como puro mecanismo para a terceirização dos serviços, o que resulta invariavelmente na redução dos salários e de direitos.

Há até casos em que esse as organizações sociais são protegidas ou controladas integrantes de facções do crime organizado, como PCC.

No meio desta pandemia, além do medo de se contaminar e contaminar assim os seus familiares, profissionais da saúde enfrentam também a oferta despudorada de baixos salários e falta de estrutura de trabalho, o que contrasta com a importância da atuação deles no combate ao COVID-19.

É evidente que o saldo para a sociedade é a má qualidade do atendimento, o desmonte do SUS e, pior ainda: o risco às vidas.

Todos estes anos de subfinanciamento do SUS, de desmantelamento dos demais direitos sociais, de aumento da exploração, acirramento da crise social, econômica e sanitária são reflexos de um modo de produção que visa apenas obter lucros e rentabilidade para os capitais. Mercantiliza, precariza e descarta a vida humana, sobretudo dos trabalhadores. O modelo de gestão da Saúde por meio das Organizações Sociais é uma importante peça desta lógica nefasta e por isso deve ser combatido.

Não à Terceirização e Privatização da Saúde Pública! Em defesa do SUS 100% Estatal e de Qualidade!

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