Após ato na Capep, o superintendente da entidade, José Roberto Mota, se comprometeu em reunir-se com uma comissão de servidores no próximo dia 15, às 9 horas, para apresentar dados concretos sobre o déficit financeiro da autarquia, valor mensal creditado das contribuições e quantidade de médicos, clínicas e hospitais que deixaram o sistema.

Mota também garantiu que fará o possível para agendar uma reunião do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv) com o prefeito João Paulo Tavares Papa.

Os diretores do Sindserv e a comissão de aposentados que estiveram no ato de hoje questionaram a terceirização da gestão da autarquia, que por mês consome R$ 184 mil das contribuições. O superintendente, no entanto, defendeu o modelo de administração, dizendo que com ele foi possível enxugar gastos.

É visível, no entanto, que as economias que ajudam a subsidiar o contrato milionário (R$ 4,8 milhões) estão refletindo no atendimento dos associados. É o caso de Yara Moreira Carvalho, aposentada do serviço público, que ficou sem cardiologista. “Meu cardiologista, como quem me tratava há anos, foi obrigado a sair porque estava recebendo com três meses de atraso. Tentei passar para o médico do meu marido, mas ele disse que não atende mais novos pacientes da Capep. Até com o pediatra dos meus netos houve problemas”.

O mesmo acontece com a aposentada Cecília Maria de Jesus, usuária da Capep há 16 anos. Ela diz que seu ginecologista foi obrigado a dispensar os pacientes que são servidores públicos. “O neurologista do meu marido também abandonou o convênio. A gente tem que entender, afinal, eles trabalham e tem direito de receber. Só que nesta história nós é que saímos prejudicados”.

Já Maria Nazareth Coelho perdeu as contas de quantos profissionais deixaram de atendê-la. “O pior é que a gente paga em dia, porque somos descontados em folha e quando precisamos de atendimento ficamos a ver navios”.

Além da fuga de profissionais, a Capep perdeu o convênio com os hospitais Santo Amaro, em Guarujá, e São José, em São Vicente.  Para o diretor do Sindserv, Wagner Gatto, este pode ser o começo do fim de uma entidade que tem meio século. “O sucateamento da Capep será fatal para que ganhe força o argumento de que a criação de um plano privado com descontos por faixa etária e a taxação dos dependentes é a saída. E quem não puder pagar o plano mais caro vai acabar no chão do PS Central”.

Segundo o diretor, esse processo de sucateamento foi uma estratégia usada no passado em outras áreas como a telefonia, bancos e energia elétrica. “O poder público deixa os serviços chegarem à ruína para depois surgir com a fórmula mágica da privatização”.  

 

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