Digníssimo prefeito João Paulo Tavares Papa.

Serei breve, pois estou em uma Lan House e quanto mais demorar, mais eu vou pagar. E dinheiro não é algo que nós funcionários da Prefeitura temos em abundância.

Quero apenas questioná-lo, tirar uma dúvida cruel. Gostaria de saber como é dormir a noite sem que pese na consciência o fato de aumentar seu salário, bem como os de seus secretários em mais de 28% e propor a nós funcionários míseros 6%. Não lhe satisfaz a total falta de estrutura nas repartições? Não lhe basta o nosso desamparo com a situação caótica que se instaurou na Capep?

Prefeito, tenha o mínimo de piedade das milhares de pessoas que lhe ajudam a conduzir esta cidade. Crise? Que crise? Ela foi lembrada na hora de aumentar seus próprios salários? Ou esta é uma palavra que só serve de pretexto quando conveniente, ou seja, conceder um aumento digno e responsavelmente legal para nós que levamos esta Prefeitura nas costas?

Sua proposta insana colocou servidores contra servidores em pleno Paço Municipal. Nada disso lhe pesa na consciência? Minha filha adoeceu um dia desses. Chamei um táxi e fui ao hospital Casa de Saúde. Chegando lá, surpresa. “Não atendemos mais Capep”. Peguei outro táxi e segui para a Beneficência Portuguesa, pois lá eu cheguei a ir há duas semanas. E sabe o que ouvi lá meu caro? Pasme! “Não atendemos mais Capep”.

Coincidência não prefeito? Peguei minha filha no colo com 39 gruas de febre e lá fomos nós para a Santa Casa, pelo menos se não atendessem pelo plano, passaria pelo SUS. Mas felizmente, lá chegando, a resposta não foi a mesma. Enfim um Hospital que ainda (pelo menos até aquele dia) aceita o moribundo plano do servidor de Santos. Talvez para fazer jus ao nome de Santa Casa da MISERICÓRDIA. Palavra que, creio eu, o senhor não deve conhecer.

Após algumas horas de repouso, voltei para casa com minha filhota, graças a Deus já sem a febre, porém ainda com um pouco de inflamação na garganta. No dia seguinte, após três horas de sono, lá estava eu, de pé, partindo para mais um dia de trabalho. Não sem antes passar na farmácia mais próxima e comprar alguns remédios para minha menina.

Olha só, fazendo um cálculo rápido aqui, cheguei à seguinte conclusão: deverei receber mais ou menos R$58,00 de aumento com esses 6%. E veja, gastei nesse dia acima relatado, com táxi e remédio, R$ 64,00. Poxa prefeito. Em menos de 24 horas lá se foram os poucos reais que o senhor me deu de aumento esse ano. Que coisa, não?

Mas olha só, sou brasileiro, não vou desistir nem baixar minha cabeça, nem mesmo perante tanta covardia. E além do mais, o melhor de tudo é que a saúde de minha filha está ótima e isso não há dinheiro que pague, nem os milhares de reais do senhor e dos seus secretários, nem tampouco a esmola que os senhores querem nos dar em 2009. Aliás, desculpe, esmola não, a Prefeitura de Santos não dá esmola, oferece ajuda.

Sem mais, Servidor Frustrado Indignado de Santos

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