Toda a comunidade do Jardim São Manoel está na luta para mudar de vez a situação da UME José Carlos de Azevedo Jr. Professores, funcionários, equipe técnica, estudantes, pais e moradores do bairro realizaram no dia 30/04 uma hora-aula de paralisação nos períodos da manhã, tarde e noite.

Não é pra menos, a escola tem salas de aula sem portas, média de 39 alunos por sala, falta de água constante, refeitório com telhas de amianto, vazamento nos banheiros, apenas um banheiro para os professores, falta de funcionários, professores e equipe técnica, falta de segurança, banheiros dos alunos quebrados, infiltrações por toda parte, quadra esportiva sem cobertura, nenhum equipamento esportivo etc etc etc.

Durante anos, muitos documentos, protocolos, abaixo-assinados e reuniões, mas nenhuma providência concreta foi tomada pelo governo. Com a manifestação já marcada, um dia antes a Prefeitura resolveu aparecer. Não adiantou nada, suas promessas vazias de reforma paliativas não foram suficientes para calar a população que decidiu manter o ato.

A unidade não precisa só de reforma, precisa ser refeita por inteiro. A comunidade almeja a criação de três escolas (Infantil, Fundamental I e II) no local da atual, além da criação de uma escola de Ensino Médio no bairro. Enquanto esses projetos não entram nem no papel, a reforma da escola é urgente, mas os professores, funcionários, estudantes e pais querem ter direito a participar da discussão do projeto de reforma e de construção das novas unidades.

Durante as paralisações que ocorreram nos três períodos, muitos pais de alunos deram o recado através do megafone. Querem educação de qualidade para seus filhos e sabem que sem estrutura e com poucos funcionários isso é impossível. Integrantes da Sociedade de Melhoramentos do Jardim São Manoel também protestaram cobrando antigas promessas dos políticos em melhorar a unidade.

Já os estudantes, organizados pelo Grêmio Estudantil, resolveram se manifestar de forma singular, entoaram em coro a música "O gigante acordou" do cantor MC Daleste. Última letra escrita pelo MC (assassinado em julho de 2013), o funk fala sobre as manifestações ocorridas no Brasil em junho do ano passado: "Desculpe pelo transtorno / Mas estou mudando o meu pais / Através da minha voz / Falo por todos nós / Sonhos e sonhos se destroem / Que por dentro me corroem / Deitado em berço esplêndido / O povo acordou do coma / Nosso grito em silêncio / Força com força dá bomba / É porque cansamos / De acreditar em alguns salafrários / Aumenta a lei de condução / Cadê o aumento dos nossos salários".

Deixe um Comentário

Você precisa fazer login para publicar um comentário.