Imagem de uma manchete do jornal Folha de S.Paulo que diz "Aumento de casos de Covid na Ásia e Europa acende alerta para o Brasil".

A Prefeitura de Santos acatou o decreto do Governo do Estado e retirou a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados. A medida foi publicada no Diário Oficial da última sexta-feira (18), apesar da liberação não ser consenso entre epidemiologistas, pneumologistas, especialistas em microbiologia e pesquisadores da área.

Santos é uma cidade portuária, localizada a menos de uma hora da capital do Estado e do maior centro econômico do Brasil, o que nos coloca em situação permanentemente vulnerável a esta e a outras doenças. Na China as autoridades anunciaram, neste domingo (20 de Março), um reforço das medidas de confinamento impostas no nordeste do país onde as infecções voltaram a se alastrar rapidamente. Há cidades com lockdown.

Na Coreia do Sul nunca se registrou tantos óbitos quanto na semana passada. Em países da Europa os novos surtos de Covid também preocupam. Suíça, Reino Unido, Áustria, Alemanha, Itália, Holanda e França têm de 27% a 83% de alta na média móvel de contaminados em relação há 14 dias. Na Alemanha, na terça-feira passada, a média móvel era de 200 mil novos casos – mais de 10 mil a mais que o recorde brasileiro (registrado em 31 de janeiro), embora a população por aqui seja mais que o dobro da alemã.

Já no Brasil, numa atitude claramente eleitoreira, os governos flexibilizam o uso de máscaras, gerando críticas de especialistas. Esses especialistas têm alertado que mesmo com uma cobertura vacinal acima de 70%, a alta circulação da variante ômicron e o cenário de retirada das medidas de restrição podem levar a um aumento de infecções e, consequentemente, mais hospitalizações e mortes pelo coronavírus.

Em Santos, sequer está amplamente difundido que o uso de máscara segue obrigatório nos meios de transporte público e em unidades de saúde e hospitais. E por falar em ambientes pequenos fechados e com grande número de pessoas, lembramos do grande contrassenso que é abolir a obrigatoriedade do uso desse fundamental item de proteção nas escolas municipais. Na maioria das salas de aulas, onde mais de 30 alunos e professores permanecem por no mínimo 4 horas, não há ventilação necessária. Quando há ventiladores, estes acabam funcionando como um potente veículo para espalhar gotículas de saliva. E mais: na Educação Infantil boa parte das crianças ainda não foi liberada para imunização.

Há ainda os abrigos, centros de convivência e repartições onde funcionários e usuários convivem por oito horas ou mais em espaços pouco arejados e mal desinfectados.

O SINDSERV continuará a exigir o uso da máscara nas dependências do sindicato, por entender que se pesquisadores e profissionais da saúde têm dúvidas sobre a questão, é sinal de que este ainda não é o momento para abolir o distanciamento, a máscara e o álcool em gel. Orientamos os servidores, em especial aqueles com algum tipo de comorbidade, a manterem rigorosamente as medidas de proteção.

A pandemia ainda não acabou e todo o cuidado ainda é pouco. Trabalhadores que atuam em locais onde as condições de trabalho continuem gerando insegurança e riscos podem denunciar a situação ao SINDSERV. Ressaltamos que, de preferência, o denunciante se identifique (seja sócio ou não) para que possamos verificar juntamente com a pessoa a melhor forma de intervir visando a solução do problema apontado. Todo contato do servidor com a diretoria e funcionários do SINDSERV é sigilosa, salvo quando o servidor autoriza o contrário.