Essa foi a primeira vez que o Secretário de Saúde, Marcos Calvo, deu as caras no Hospital da ZN desde que seu colega de governo, Fábio Ferraz (Secretário de Gestão), anunciou que a unidade é a primeira na qual pretendem entregar para as Organizações Sociais (na sequência, querem entregar também o novo Pronto Socorro Central, o Pronto Socorro da ZL, o Hospital dos Estivadores, o Teatro Coliseu e o Programa Escola Total).

Após o anúncio, Calvo não deu nenhuma declaração à imprensa sobre o assunto. Chegaram a dizer que a publicação o pegou de surpresa, que ele não saberia do plano entreguista anunciado por Ferraz. Mas no "Fórum de Terceirização", diante de uma plateia composta majoritariamente por empresários, o mesmo mostrou suas asinhas tucanas: Disse que a "gestão compartilhada" era a solução de todos os problemas, as OSs seriam o paraíso na Terra.

Na audiência pública sobre o assunto, chamada pelo Conselho de Saúde, ele estava de férias, mas o secretário-adjunto da pasta, Denis Valejo, marcou presença, compôs a mesa e… não falou uma palavra.

Por duas vezes, os próprios funcionários do Hospital da ZN foram até o gabinete do secretário para escutar o que o mesmo teria a dizer. Na primeira ida ele não estava, depois tirou férias e na segunda só quis receber uma comissão dos funcionários. Lamentável!

Os funcionários fizeram a tal da comissão, mas com um único intuito: Marcar uma conversa no auditório do Complexo Hospitalar com todos os funcionários que podem ser atingidos.

"Não tem nada definido"
O encontro finalmente aconteceu no dia 19/08. Calvo falou diferente do discurso proferido no "Fórum de Terceirização": Apesar de assumir que realmente há a possibilidade da terceirização, garantiu de pé junto que não tem nada definido, ninguém precisaria se preocupar…

Chegou inclusive a desmentir matéria do jornal A Tribuna em que Ferraz declarou quais seriam os primeiros alvos das OSs: "Eu não estava presente quando ele conversou com a jornalista, e como a jornalista transformou isso em matéria são outras questões". Ou Calvo se faz de João-sem-braço ou está muito mal informado: O próprio Diário Oficial publicou essa notícia (veja aqui na página 2).

Durante o encontro, o secretário alegou que com as OSs seria melhor porque não precisa ficar justificando compras, fazer licitações e "burocracias". Realmente, uma OS não precisa de controle público nenhum, pode comprar uma seringa pelo preço que quiser, pode contratar e demitir a hora e pelo motivo que quiser, tudo com o dinheiro público. Não é a toa que em todo o Brasil há inúmeros escândalos de corrupção envolvendo as OSs.

Se Calvo tinha como objetivo tranquilizar os funcionários dizendo que o governo ainda não tem nada definido, conseguiu fazer o contrário. O que os trabalhadores queriam de fato era um compromisso do chefe da pasta de que se empenharia ao máximo para reverter o processo de entrega dos serviços de saúde. Afinal, se querem entregar a gestão, é porque a atual gestão é problemática e ele é o gestor. Os servidores esperavam que o secretário falasse claramente quais são esses problemas para que juntos, com o esforço e compromisso de todos, fosse traçado um cronograma de melhorias para que a Prefeitura não entregue a gestão de todo o Complexo Hospitalar para a iniciativa privada.

Mas não, Calvo se limitou apenas a dizer que o governo ainda está fazendo estudos. Estudar em salas fechadas sem consultar quem está no dia a dia da unidade? Isso não é nada tranquilizador.

O.S. NÃO!
TODOS CONTRA AS TERCEIRIZAÇÕES!

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