Jornal da Orla

Nos últimos dias, os servidores municipais de Santos foram insultados por três colunas de opinião publicadas no Jornal da Orla sem assinatura (portanto, opiniões da própria empresa de comunicação).

As ofensas diziam respeito a greve que os trabalhadores estão enfrentando, obrigados pelo governo que quer REDUZIR SEUS SALÁRIOS não reajustando os vencimentos nem mesmo pela inflação que corroeu os ganhos nesse último ano.

Vejamos

A previsão orçamentária de Santos cresceu 5,71%, o aumento nas passagens de ônibus autorizado pelo prefeito (e negado em parte pela Justiça) foi de 18,46%, o IPTU cresceu 7%, a inflação foi de 5,35% e os servidores deveriam abaixar a cabeça com ZERO%?!

Para o Jornal da Orla parece que sim. Não só os servidores, mas todos os trabalhadores deveriam sofrer todos os prejuízos da crise quietinhos, sem se manifestar, muito menos exercer o seu direito constitucional de greve.

Foi tanto ódio destilado contra os servidores que o texto acabou ficando sem muito nexo. Há contradições nítidas, como no começo que deixa a dúvida no ar se realmente o sindicato diz a verdade (“8% de perdas que os dirigentes alegam ter sofrido nos últimos anos”) e o final onde assume que “No governo Beto Mansur (…) os servidores de Santos ficaram sem aumento por sete anos”. E ainda indagam: “Por que não fizeram greve? Talvez o Sindicato possa fazer a gentileza de explicar”.

Explicamos com todo o prazer: Porque somente agora, depois de anos com baixos salários, jornais imparciais disseminando que trabalhadores não devem se organizar, condições de trabalho cada vez piores e implementação de métodos de “incentivo” exportados da iniciativa privada (leia-se, aumento de assédio moral), os servidores conseguiram levantar a cabeça e, ao se colocar em movimento, aprenderam que unidos são fortes.

Conseguiram se reconhecer como trabalhadores, que são os que efetivamente carregam toda a máquina pública nas costas e que merecem reconhecimento e valorização por isso. Artigos como os publicados nesse jornal foram (e são) iniciativas para tentar calar os trabalhadores, jogá-los contra a população e tentar inibir a participação nas lutas por direitos.

A falácia da crise em Santos

“Os grevistas parecem partir da premissa de que a crise pode ser seletiva”. Temos todos os números, publicados pela própria Prefeitura, que mostram que TEM DINHEIRO para reajustar os salários sim. O jornal é que parece partir da premissa de que todos os prejuízos da crise devem ser seletivos, apenas para os trabalhadores.

Em Santos, o orçamento previsto para esse ano é de R$ 2,69 BILHÕES! O maior orçamento da história do município. Quase o dobro de Praia Grande (R$ 1,38 bilhão), a segunda maior arrecadação da Baixada Santista!

A folha de pagamento anual dos servidores gira em torno de 900 milhões, pra onde vai todo o resto do dinheiro? Para a população é que não vai (vide os constantes alagamentos na Zona Noroeste). O tutu está sendo desviado para empresas privadas disfarçadas de Organizações Sociais (a OS do Estivadores vai embolsar R$ 66,7 milhões/ano e a da UPA Central já está embolsando R$ 19,1 milhões/ano), empreiteiras fazerem obras inúteis (trocar de lugar as pedrinhas da Praça Mauá, repavimentação da Ana Costa…), aluguéis de imóveis fechados e seus apadrinhados que mamam em cargos comissionados (inclusive parentes de secretários), nos contratos pela Lei 650 e nos chequinhos.

Um exemplo sintomático

A decisão de entrar em GREVE foi tomada no mesmo dia em que o governo anunciou que irá bonificar a OS Fundação do ABC pelo “maravilhoso” serviço prestado à população (só que não, veja em ataqueaoscofrespublicos.com). Servidor não merece, a empresa privada merece.

Também anunciou nesse mesmo dia que irá entregar a UPA da Zona Noroeste (novinha) para outra OS, enquanto que o Hospital da mesma região (sucateado e caindo aos pedaços) continuará sendo o local de trabalho dos servidores. Mais uma vez: Servidor não merece, a empresa privada merece.

Dá pra ter reajuste SIM

Infelizmente, esses R$ 2,69 bilhões em caixa só serão destinados para valorizar os servidores se os mesmos continuarem mobilizados. Se a Prefeitura reajustasse os salários pela inflação, o aumento na folha de pagamento seria de apenas R$ 47.173.749,66*. Ou seja, não faz nem cócegas no orçamento.

Veja como o governo tem investido cada vez menos com o servidor:

Gráfico de Despesa com Pessoal
Veja agora o que diz o consultor financeiro Rodolfo Amaral: “Os números divulgados comprovam que não houve a catástrofe tão propagada sobre as finanças de Santos”. “A RCL [Receita Corrente Líquida] no governo Paulo Alexandre cresceu exatamente o mesmo índice da inflação no período (33%)”.

Para encerrar o assunto sobre as finanças, o jornal ignorou que na pauta dos servidores, aprovada em assembleia, há inúmeras sugestões para que o governo economize, cortando verdadeiramente na carne ao invés de lesar os funcionários públicos, são elas:
• Redução de 20% nos valores dos salários do Prefeito, dos cargos de confiança (cargos políticos) e dos Vereadores;
• Extinção de 30% dos cargos de confiança (cargos políticos) de diversas Secretarias;
• Extinção da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação;
• Extinção da Secretaria Municipal de Comunicação e Resultados;
• Extinção da Secretaria Municipal de Defesa da Cidadania;
• Extinção da Secretaria Municipal de Assuntos Portuários;
• Fusão da Secretaria Municipal de Esportes com a Secretaria Municipal de Turismo;
• Fusão da Secretaria Municipal de Segurança com o Gabinete do Prefeito.

Artigos distorcem a luta dos servidores

Os artigos pintam os servidores como se fossem privilegiados/marajás/irresponsáveis, tentando colocar a população contra os servidores. Deu ruim, seja nas manifestações, nas panfletagens nas portas de escolas, nas redes sociais, ou até mesmo em entrevistas na televisão, a maioria absoluta dos trabalhadores da cidade estão fazendo questão de demonstrar o apoio ao movimento dos servidores que é histórico!

* Número da própria Secretaria de Gestão.

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