Na semana passada a Maternidade Silvério Fontes esteve nas manchetes de jornais e telejornais de todo o País. Infelizmente, o motivo não foi positivo. Por razões que a própria Prefeitura está apurando, um parto foi realizado de forma totalmente improvisada, em locais e condições inapropriadas. Pior: o pai teve que segurar a criança no momento do nascimento.  

A família alegou falhas no atendimento. O Sindserv aproveita a oportnidade para denunciar problemas estruturais que acontecem na maternidade e nas demais unidades de saúde: número insuficiente de profissionais e funcionários, falta de materiais como macas, cadeira de rodas, leitos hospitalares e materiais em geral, além de espaços reduzidos e adpatados para realização de alguns atendimentos.

Veja abaixo a matéria publicada no Jornal A Tribuna sobre o caso.  

Mulher dá à luz na sala de espera de hospital em Santos

Ao invés da alegria de ver a filha nascendo, o casal José Roberto de Oliveira Melo e Josete Jesus da Silva, viveram momentos de drama, na madrugada do último domingo. Ao dar entrada na Maternidade Silvério Fontes, no complexo hospitalar Arthur Domingues Pinto, no Castelo, em Santos, o bebê que Josete esperava nasceu nas mãos do próprio marido, na sala de espera, sem a presença de médico, pediatra e anestesista.

De acordo com a família, o parto aconteceu em local inadequado em razão da demora no atendimento da gestante e da falta de preparo da equipe de plantão do hospital.

O pai, José Roberto, conta que levou a esposa para o hospital por volta de 4 horas da madrugada do dia 1º de novembro. Na pressa, ambos esqueceram os documentos de Josete. Por isso, a família foi informada que sem eles a criança não poderia mamar depois que nascesse.

“O rapaz da recepção foi chamar a médica lá dentro e ninguém veio. Não sei se era falta de médico ou se estavam dormindo. Sei que não teve o atendimento certo. Fui buscar os documentos e quando cheguei a bolsa estourou. Pedi socorro e reclamei da demora para fazer o parto. A médica, que a esta altura já estava na sala de espera, me expulsou”.

Na sequência, funcionários teriam colocado Josete em uma cadeira na própria sala de espera. “Deixaram ela lá na cadeira. Disseram que iriam buscar uma cadeira de rodas e não voltaram”.

Parto improvisado

Com muitas dores, Josete, que já tinha recebido uma medicação via soro, chamou o marido e a sogra. “Eu levantei o vestido dela e vi que a cabeça da criança estava saindo. Mesmo sem saber o que fazer e sem as condições de higiene ideais eu tive que segurar minha filha, senão ela cairia chão”.

Aparecida Marques, a avó paterna da criança, que nasceu com 2,4 quilos e recebeu o nome de Roberta, ressalta a demora do encaminhamento para internação. “Demorou mais ou menos uma hora entre a chegada da minha nora no hospital e o nascimento do bebê”.
Ela relembra os momentos dramáticos do parto. “Minha nora se apoiou em mim na hora do nascimento e já ia derreando (inclinando-se) da cadeira enquanto meu filho segurava a bebê que já ia deslizando nos braços dele.”

Para registrar o caso e não deixar o triste episódio passar em branco, a família decidiu gravar um vídeo em um telefone celular. Pelas imagens do vídeo é possível ver que só depois de alguns minutos que o pai segura a filha é que uma médica e uma enfermeira chegam para cortar o cordão umbilical e levar a criança para os primeiros cuidados. “Nosso medo era de a criança não ficar bem. Ela demorou a chorar e a respirar”, disse a tia paterna, Rosemar Marques de Oliveira.

A criança teve uma infecção e precisou tomar antibióticos. A Secretaria de Saúde não permitiu a entrada do Expresso na maternidade para falar com a mãe, que continua internada com a filha sem previsão de alta. A assessoria de imprensa informou que ambas passam bem. O secretário de Saúde, Odílio Rodrigues Filho, disse que não vai se pronunciar até que tenha em mãos um relatório que está sendo feito sobre os fatos.

 

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