"A crise na educação no Brasil não é uma crise, é um projeto",
Darcy Ribeiro
 
A última palestra preparatória do 1º Congresso dos Trabalhadores da Educação de Santos ocorreu no dia 07/10 com os professores Mauro Iasi e Rafael Furtado. Agora é arregaçar as mangas para os Encontros Setorias que ocorrerão no Colégio Afonso Pena (R. Liberdade, 630, Aparecida – esquina com Av. Afonso Pena, em frente ao PS Macuco), sempre às 19h, nos dias:
-14/10: Equipes Técnicas;
-15/10: Funcionários;
-21/10: Professores.
 
Conselheiro da Associação dos Docentes da UFRJ, Iasi revelou o que está por trás da precarização das condições de trabalho dos educadores nas esferas municipais, estaduais e federais. Para isso, explicou toda a história e o que significa o paradoxo da educação brasileira entre o ensino público e o privado.
 
Com o fim da ditadura, os educadores tinham a expectativa de que esse processo seria acompanhado de um profunda crítica ao modelo de ensino e com sua democratização em todas as suas dimensões (acesso, conteúdo, qualidade…). No entanto, não foi isso que se verificou.
 
Num primeiro momento, pensava-se no ensino privado como uma complementariedade. Ou seja, o Estado continuaria arcando com a educação e o privado complementaria uma parte. O Estado foi diminuindo o seu investimento no setor público e cada vez mais foi se desresponsabilizando, fortalecendo o crescimento do mercado.
 
Evidente que essa diminuição gradual do investimento vai forçando a perda de direitos e a precarização das condições de trabalho de todos os educadores do ensino público.
 
Programas como FIES e PROUNI serviram para transferir dinheiro público diretamente para os grandes tubarões do ensino privado. O Estado passou a pagar as mensalidades dos alunos que não tinham condições de pagar, garantindo assim o lucro dos empresários sem nenhum risco, ao invés de investir esse mesmo dinheiro no ensino público garantindo mais acesso e maior qualidade.
 
Diretor de base do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba, Rafael Furtado deu uma real noção do que significa essa precarização no ensino fundamental. Aumento do número de alunos por sala, adoecimento precoce da categoria, os remédios como válvula de escape tanto para os professores quanto para as crianças, aumento dos dias letivos, entre tantos outros fatores são consequências do sucateamento do ensino público.
 
A conclusão dos dois educadores é que mesmo nessa situação, é preciso resistir. "Porque vale a pena resistir em defesa da educação pública. É fundamental que a gente resista. Porque nós somos a última fronteira pra defesa da educação", sintetizou Mauro Iasi.

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