A Prefeitura anunciou nesse mês de agosto os resultados do PDR (Programa de Participação Direta nos Resultados). Para os servidores da Ouvidoria e das secretarias que participaram dessa primeira etapa (Assistência Social, Defesa da Cidadania, Educação, Finanças, Gestão e Saúde), irá pingar um troco em forma de bonificação (a Prefeitura ainda não divulgou quando isso irá ocorrer). Agora, o Programa se estende para todas as secretarias, mais COHAB e CET.
 
Diário Oficial, 14 de agosto de 2015
 
A política de "valorização" dos trabalhadores através de bônus é amplamente difundida no meio empresarial. Os patrões sabem que quanto mais convertem salários em bonificações, mais lucro enche seus bolsos, mais subserviência dos empregados e mais desunião da categoria. Uma fórmula moderna para explorar ainda mais o trabalhador.
 
Essa ideologia empresarial é um mantra para o governo Paulo Alexandre Barbosa. O fetiche pelo privado, em detrimento do público, é tanto que seu governo fez uma parceria "gratuita" com a Comunitas, OSCIP fundada em 2000 pela ex-primeira dama Ruth Cardoso. Segundo o jornal A Tribuna, os empresários só querem "transferir conhecimentos da gestão privada ao setor público". Que bonitinho.
 
Paulo Alexandre tem uma meta bem definida: Substituir, aos poucos, salários por gratificações. E quando atingir essa meta, além de dobrar a meta, atingirá outro objetivo: Uma categoria de mãos atadas e dividida.
 
Entra de um lado, sai de outro
Não podemos nos enganar, todo o dinheiro destinado às gratificações saem do mesmo cofre que paga os nossos salários. Quanto mais Bônus, menos reajuste salarial vamos conseguir ano após ano. E estaremos cada vez mais a mercê das metas que exigem mais produtividade, o que significa menos saúde, mais pressão e assédio moral.
 
Com essa cultura nefasta, em pouco tempo teremos os próprios colegas controlando quanto de água você está gastando pra lavar as mãos, o tempo que você demora para fazer um atendimento, o número de papéis que você gastou para imprimir um documento etc. A pressão não virá somente das chefias, o que inevitavelmente derruba o espírito de companheirismo entre os trabalhadores que vivem os mesmos problemas da função e/ou da unidade, dia a dia.
 
Charge: Pressão dos próprios colegas
 
Na época em que foi anunciado a implantação do PDR em Santos, o SINDSERV se posicionou contrário à medida, desconstruiu a fantasia da meritocracia, demonstrou o quanto poderia ser reajustado os salários sem esse Programa e ainda deu (de graça) sugestões do que o governo poderia fazer para REALMENTE valorizar os servidores, veja:
 
 
Pra quem serve a Participação Direta nos Resultados?
 

No final de março a Prefeitura anunciou o PDR (Participação Direta nos Resultados), uma "iniciativa inovadora" que, segundo o governo, os servidores irão adorar e os munícipes também. Porém, após fazermos uma análise mais detalhada, descobrimos então pra que vêm essa PDR.

Filosofia empresarial
Fruto da mentalidade de quem acha que tudo na iniciativa privada é uma maravilha, a PDR vêm no intuito de intensificar a "produção" de trabalho dos servidores e diminuir ainda mais o número de funcionários. Nas entrelinhas do discurso oficial fica clara a visão que a administração municipal têm dos serviços prestados por seus funcionários. Para ela, trabalhamos com má vontade, relaxo, desinteresse. Por isso acredita que pode nos espremer mais um pouquinho para atingir suas metas.

Como reduzir tempo de espera da população para procedimentos diversos, diminuir tempo de agendamento, estancar as horas extras dos funcionários, ampliar atendimentos e aumentar funções com o mesmo número de funcionários e a mesma estrutura? É só uma questão de vontade? Sabemos que não!

Sabemos também que as metas provavelmente serão atingidas. Mas isso não terá relação nenhuma com "maior engajamento dos colaboradores", "maior cooperação entre as equipes" ou qualquer outra baboseira de palestra empresarial. As metas serão alcançadas pois, junto com elas, vêm outras "filosofias" ensinadas pelo "deus mercado": Pressão por produtividade e assédio moral.

Os professores que também trabalham para o Estado sabem muito bem o que é ter uma política de péssimos salários complementados com bônus de todas as ordens, inclusive PDR. Se você conhece algum, pergunte como é a pressão para que os professores passem de ano quase todos os alunos, mesmos os que não entenderam nada das matérias lecionadas. O assédio moral vem até mesmo de colegas de trabalho, que ficam cegos querendo atingir as metas.

Melhor ainda, pergunte para um funcionário do Estado aposentado como está sua vida com uma merreca de salário, já que todos os bônus (inclusive o PDR) não são incorporados.

A verdade é que onde essa filosofia empresarial se instala, "valorizando" o servidor com bônus ao invés de salário, o que deveria ser um benefício torna-se uma prisão e, em muitos casos, vira moeda de troca por apoio político quando o ano é eleitoral.

Nenhuma contrapartida
Porque metas apenas para os trabalhadores? Porque o governo não assume compromissos que, esses sim, deixariam todos os trabalhadores mais motivados e, consequentemente, melhorariam os serviços à população? Sugeriríamos alguns:
-Sanar a carência de funcionários em todos os setores necessários;
-Recuperar o poder de compra dos servidores perdidos por anos sem reajuste;
-Diminuir o número de alunos por sala;
-Cesta Básica de acordo com a média de uma Cesta Básica em Santos, e não dois terços dela;
-Instalar ar-condicionado nas salas de aulas, leitos hospitalares e outros locais imprescindíveis. Não têm dinheiro? Retire os aparelhos dos gabinetes;
-Auxílio alimentação digno em uma cidade onde a refeição é a mais cara em todo o Estado de São Paulo (veja aqui ou aqui);
-Diminuição dos cargos comissionados, etc.

Mentira tem perna curta
Lembram a choradeira da Prefeitura durante nossa Campanha Salarial? Pois é, tudo mentira! Apenas para planejar essa PDR, em míseros 3 meses, o governo pagou R$ 490.000,00 para a Fundação Vanzolini. Detalhe, sem licitação alguma (veja aqui, página 9). E caso a Ouvidoria e as seis secretarias inicialmente selecionadas (Assistência Social, Defesa da Cidadania, Educação, Finanças, Gestão e Saúde) alcancem todos os objetivos, o gasto totalizará R$ 9.400.000,00.

Ou seja, com o total de bônus (9 milhões e 400 mil) mais o dinheiro gasto para o planejamento (490 mil) e levando em conta que a Prefeitura anunciou que o reajuste de 7,5% equivaleria ao gasto de 64 milhões (veja aqui, página 3), temos que só com esse dinheiro gasto na PDR daria pra dar pelo menos mais 1% de aumento para toda a categoria. Ficaríamos com 8,5%. Ué, 7,5% não era o limite para não ultrapassar a Lei de Responsabilidade Fiscal?!?!

Não tem mágica
Quer os trabalhadores mais motivados e um serviço público de melhor qualidade? Que tal escutar os próprios trabalhadores que não se cansam de denunciar falta de profissionais em diversos cargos e falta de condições estruturais mínimas para realizar um bom atendimento ao munícipe?!?

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