Parece piada, mas é a mais dura realidade. Embora esteja com um enorme déficit de professores em toda a rede municipal, a Seduc teve a coragem de afirmar que não há falta nenhuma de docente.
 
Os alunos das escolas da Zona Noroeste e seus pais escutados pelo jornal A Tribuna/Expresso Popular estariam mentindo (veja matéria na íntegra abaixo). Os educadores que foram até a Seduc no começo desse mês protestar (entre outras pautas) contra a falta de professores e funcionários de escolas também estariam todos delirando.
 
Esse é o mundo do faz de conta da Seduc e da Prefeitura de Santos, onde a escassez dos docentes e demais funcionários são apenas "situações eventuais".
 
É assim na sua escola? É assim na escola de seu filho? Todos que quiserem denunciar, entrem em contato dizendo quantos professores e funcionários faltam em sua unidade: [email protected], ou 3228-7400, ou Av. Campos Sales, 106 – Vila Nova.
 
Veja na íntegra a matéria publicada no jornal A Tribuna de hoje (19/05/15): 
 
Pais reclamam da falta de professores
Por Nathália Geraldo
 
Em algumas unidades municipais, aulas são dadas por substitutos
 
Em algumas escolas municipais da Zona Noroeste, em Santos, levar lição para fazer em casa, hábito comum na vida de todo estudante, é raro. Professor substituto, entretanto, tem aos montes. Esses são só alguns problemas que as classes enfrentam para estudar.
 
O pior é que, segundo os pais dos alunos, tudo isso está comprometendo o aprendizado da criançada, que não sabe mais qual professor estará na sala de aula para passar o conteúdo.
 
O fato foi denunciado por pais e avós de alunos e pelos próprios estudantes da UME Leonardo Nunes, no Castelo.
 
Preocupada com a falta de lição de casa da neta Ketlin, de 8 anos, que frequenta o 3o ano da unidade, a aposentada Maria das Dores Capela afirma que a troca dos professores titulares por aqueles que só vão cobrir a aula atrasa, e muito, o desenvolvimento da menina.
 
"Antigamente, ela tinha muita tarefa para fazer. Agora, se deixasse, ficaria o dia inteiro na rua, porque não tem o que fazer. Depois, precisa de reforço escolar e não sabe o porquê".
 
Uma aluna do 5º ano da mesma escola declarou à Reportagem que, ontem, foi preciso um esquema diferente para uma das classes do mesmo ano ter aula. "Como a professora da outra sala faltou, três alunos tiveram de entrar na nossa classe".
 
OUTRA ESCOLA
E esse rodízio de professores não acontece só nessa unidade, como explica a teleoperadora Graciela dos Santos Menezes.
 
Ela é mãe de uma aluna de 9 anos do 3º ano da UME Professora Maria de Lourdes Borges Bernal, também no Castelo. Conta que na semana passada a menina viu a professora oficial só em dois dias. "E quando a substituta vem, não fica até o final da aula. Eles passam a última hora com uma professora auxiliar".
 
Na mesma unidade os pais dizem que precisam comprar o material escolar das crianças. "Na reunião da semana passada, a professora pediu para levar papel sulfite, porque não tinha", explica a dona de casa Edna Santos de Araujo, que tem uma filha de 6 anos na unidade.
 
MAIS PEPINOS
Na UME Professora Cely de Moura Negrini, no Rádio Clube, há queixas de que os alunos são obrigados a viver com pequenos bichos e insetos que se proliferam nas árvores dentro da unidade.
 
Já os estudantes da UME Esmeraldo Tarquinio, no Bom Retiro, sofrem com falta d’água esporadicamente, em razão de problemas de bombeamento.
 
Seduc rebate prejuízos a alunos
 
Para a dona de casa Vanusa Kelly Oliveira, a alternância de professores por conta de falta dos titulares prejudica o aprendizado do filho, Gaetano, de 11 anos. Ele estuda no 4º ano da UME Leonardo Nunes.
 
"Eu sinto que ele regrediu e tem tido mais dificuldades na escola. Tudo porque, em uma semana, a professora já chegou a faltar quatro dias".
 
Em nota, a Secretaria de Educação alega que, na ausência do titular da classe do 4º ano G, os alunos não perdem conteúdo pedagógico e o professor adjunto dá continuidade às matérias do currículo escolar.
 
SEM PREJUÍZOS
Ainda conforme o texto, a Seduc se defende das críticas e alega que em algumas "situações eventuais", alunos são remanejados de classes na falta de educadores, o que também, "não prejudica o aprendizado".
 
A nota explica que a direção da UME Leonardo Nunes afirma que os alunos "não ficam" nas classes sem os professores titulares ou adjuntos, e, por vezes, a equipe técnica auxilia.
 
Quanto à falta de sulfite na UME Maria de Lourdes Borges Bernal, a Seduc esclarece que a informação "não procede", uma vez que o material já foi entregue à unidade.
 
O órgão informa que os alunos do 3º ano D são atendidos em horário normal por professores capacitados e as atividades atendem ao conteúdo previsto.
 
ÁGUA E ÁRVORE
Com relação à UME Esmeraldo Tarquínio, as causas da falta de água na escola foram solucionadas na última semana, por profissionais da Subprefeitura da Zona Noroeste.
 
Sobre a UME Cely de Moura Negrini, a Seduc diz que está em tratativas com a subprefeitura para levantar as necessidades do local e podar a árvore.

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