28 de outubro, data em que se comemora o Dia do Servidor Público de todas as esferas (municipal, estadual e federal). Mas… temos o que comemorar? Sim e Não.

SIM, porque com muita união e luta já conseguimos vencer obstáculos que até pouco tempo atrás pareciam ser intransponíveis. Quem lembra da enorme dificuldade que tivemos para barrar o Plano de Carreira feito pela Fundação Getúlio Vargas? Muitos desacreditavam que pudéssemos reverter, sendo que o governo Papa já tinha pago pelo estudo da FGV. Pois bem, com a unidade da categoria não só conseguimos jogar o plano empresarial no lixo, como executamos um grande colegiado onde todos os servidores puderam opinar sobre seu futuro.

Quem lembra do buraco em que se encontrava a CAPEP na mão do Mota? Com muita pressão, derrubamos o reizinho, acabamos com os malditos Jetons e deixamos a autarquia mais transparente. Esses são apenas dois exemplos que simbolizam que com luta e união conquistamos, mesmo que pareça uma missão impossível.

E, ao mesmo tempo, NÃO! Com tantos ataques aos nossos Direitos, não temos nada à comemorar! Temos sim é que preparar nossas trincheiras para encarar duras lutas nesse final de ano: Reclassificação dos segmentos injustiçados; Volta da Referência funcionalFixação de sede para funcionários de escola; Mais concursos ao invés de contratos pela Lei 650; Entre muitas outras lutas. E, pelo tamanho do choramingado da Prefeitura com relação ao gasto com pessoal, temos que nos preparar muito bem para a Campanha Salarial de 2014!

SERVIDOR PÚBLICO: MUITO ALÉM DO NOSSO JARDIM

No Serviço Público estão as pessoas mais competentes do país. Qualquer um que entre, hoje, no Serviço Público através de concursos públicos, que vão de 500 a 5.000 candidatos por vaga, consegue em pouco tempo resolver qualquer desafio que se apresente.

No Serviço Público estão as pessoas mais preparadas do país, os melhores quadros. É bom frisar: as melhores cabeças estão no Serviço Público.

E não nos chamem de “colaboradores”! Somos Trabalhadores. Não somos “colaboradores”, não somos “associados”. Somos Trabalhadores, com muito orgulho. Assim como aquele que procura o Serviço Público não é aquela palavra horrorosa: “cliente”.

Quem utiliza o Serviço Público não é “cliente” e nem “usuário”. Quem utiliza o Serviço Público são pessoas. Cliente e usuário não são pessoas. Cliente é aquele que dá lucro. Usuário é aquele que usa. No Serviço Público não temos ninguém que usa.

O Serviço Público é das pessoas e não para as pessoas. As pessoas são donas, e não usuárias do Serviço Público. É uma grande diferença.

E o que é ser Servidor Público?

Ser Servidor Público é resistir ao desmonte e privatização do Estado, dos Serviços Públicos. Cada vez mais será exigida uma carga horária maior, mesmo com a aceleração da informática, da nanotecnologia e da robótica.

Porque tem que sobrar dinheiro no orçamento para dar aos banqueiros, pagamentos de juros e empreiteiras.

Ser Servidor Público é não aceitar a pessoalidade, o subjetivismo. É não ser egoísta, é ser solidário.

Ser Servidor Público é recusar uma ordem ilegal. É zelar pela coisa dos outros e até esquecer das suas e da sua família.

Ser Servidor Público é ser um Trabalhador com mais responsabilidade que os outros, pois você tem compromisso com algo além do seu Trabalho. Você tem um compromisso com o destino das pessoas, com a vida das pessoas.

Ser Servidor Público é ter a certeza e consciência que o único lugar onde ainda há solidariedade e humanidade é no Serviço Público, apesar de todas as dificuldades. Nas empresas isto nunca existiu e nunca existirá.

Ser Servidor Público é saber que se trabalha para os mais pobres, para os excluídos, para os explorados, pois os outros não precisam do Estado.

Pelo contrário, os ricos que não precisam do Estado são “usuários” do Serviço Público, pois se apropriam de algo que não lhes pertence, pois pertence ao coletivo.

Ser Servidor Público é saber que os milionários sempre se utilizaram do Estado como se fosse uma extensão do seu clube de campo, sempre explorando, sempre saqueando o Serviço Público.

Ser Servidor Público é ser a última trincheira contra a desumanização, contra a exploração, contra o lucro, contra a apropriação dos recursos naturais por pessoas inescrupulosas, contra o abuso financeiro.

Ser Servidor Público é defender o Estado, defender o Serviço Público. E não é uma tarefa fácil, pois o Serviço Público é alvo de ataques de todos os lados no mundo inteiro, pois os mercenários querem o Estado para si para ter mais lucro e escravizar mais.

É a diminuição do orçamento público, é desestabilização, é o ataque aos próprios Servidores Públicos, é o ataque à Previdência Pública, é o ataque ao Judiciário Público, à Educação Pública, à Saúde Pública.

Ser Servidor Público é mostrar para as pessoas que um mundo melhor, diferente, sem lucro, sem exploração, é possível.

É possível um mundo sem água oxigenada no leite, sem trabalho escravo, sem a extinção de animais e plantas, sem miséria, sem fome (enquanto você lê este texto, um bilhão de pessoas estão passando fome).

Ser Servidor Público é dizer NÃO, porque sim qualquer um diz a toda hora.

E por que a gente se tornou Servidor Público?

Errou. Não é pela estabilidade. Não é pelo salário (a maioria dos Servidores Pública ganha uma merreca). Muitos acham que somos movidos pela razão e pela relação com o dinheiro. Não. Somos movidos pela paixão.

Repasse a sua vida. Todas as suas atitudes foram tomadas, aparentemente, pela razão, mas não é verdade. Namoramos, casamos, temos filhos e fazemos tudo não pela razão, mas pela paixão.

Quando queremos alguma coisa com paixão, sempre vamos atrás, custe o que custar. A razão vem depois.

Quem entrou no Serviço Público e aqui ficou, é porque tem algo que o segurou.

É paixão pelo coletivo, é a paixão de servir aos outros e não ser servido, é a paixão de não ser escravo de ninguém, é a paixão de não ser proprietário e também não ser escravo, é a paixão de não ser propriedade de ninguém.

É a paixão de saber que ninguém é de ninguém e pessoas não são semoventes, não são meros números de balanço patrimonial.

Quem não pensa assim, por mais que ganhe, acaba abandonando o Serviço Público e vai para o setor privado, procurar o lucro, procurar se enriquecer, já que no Serviço Público ninguém ficará milionário.

Se não fosse assim, por que aguentamos uma carga horária desumana, por que levamos trabalho para casa, por que, mesmo sem condições de Trabalho, ainda insistimos em ser Servidor Público?

É simples a resposta.

Todos nós, que um dia nos tornamos Servidores Públicos, tínhamos um princípio simples e paradoxal: a liberdade, ser livre…

… não ser escravo de ninguém e não sendo escravo de ninguém, preferimos ser escravos de todos, já que servimos, porque somos Servidores Públicos.

Você é especial. Talvez não tenha percebido, mas você é diferente, você é Servidor Público.

Por isto tudo, Parabéns para você, Servidor Público, que carrega o Serviço Público nas costas, que cuida do Estado, que sonha com um mundo melhor.

Parabéns para você que planta flores coletivas no jardim das outras pessoas e nem imagina que quando chega a primavera algumas das flores plantadas tem o seu nome.

A primavera é coletiva. Não tem dono, não tem marca. A flor do seu trabalho no Serviço Público também não, porque não lhe pertence, porque não pertence a ninguém, e ao mesmo tempo é de todo mundo.

Para você que semeia muito além do seu jardim, Parabéns!

(Pedro Aparecido de Souza)

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