Ao se isentar das responsabilidades pela falta de planejamento da Seduc e de estruturas nas escolas, secretária de Educação ofende professores na imprensa e dá aula de incompetência

A postura da Secretária de Educação de Santos, Suely Maia, de mais uma vez atacar os professores na tentativa de ocultar as deficiências de gestão e de estrutura da Rede Municipal de Ensino revoltou os educadores.

Nas escolas o que se ouve é que a titular da pasta tenta confundir a população sempre que pais de alunos reclamam, com razão, da falta de professores. Foi o que aconteceu após matéria publicada no Jornal A Tribuna, na última quarta-feira, dia 9.

Além de omitir fatos, Suely cria argumentos que não existem e transfere responsabilidades que são suas. Tudo isso para ocultar a verdadeira causa dos problemas do sistema público de ensino de Santos: a gestão ineficiente da própria Seduc.

Por isso, um grupo de professores e especialistas procurou o SINDSERV para auxiliá-los na redação de um documento rebatendo todas as afirmações da titular da pasta. O documento está sendo distribuído nas escolas e contém os argumentos abaixo, que podem ser detalhados à imprensa na condição de entrevistas concedidas pelos próprios educadores.

a) Além de problemas estruturais, as escolas da Prefeitura apresentam classes superlotadas, em alguns casos, chegando ao absurdo número de 40 alunos por classes.

b) Faltam professores porque a Secretária de Educação não nomeou os professores do último Concurso, realizado em 2011. A Secretária de Educação sabia o tempo todo da necessidade de se nomear os professores no ano passado para equilibrar o ano letivo de 2012. Passaram-se meses de caos nas Escolas sem providências. Agora, ela culpa a “burocracia” da própria Prefeitura, mas omite que somente este mês a Seduc iniciou a ampliação e criação de cargos para que possam ser chamados os aprovados no último concurso.

c) A secretária cita o adoecimento dos docentes, mas não diz que um dos motivos para o adoecimento desses profissionais é exatamente as precárias condições de trabalho a que estão submetidos: a citada superlotação das classes, escolas sem manutenção, número de professores insuficiente etc. Há casos de escolas em que o inspetor de alunos acaba por assumir classes por falta de professores substitutos.

d) A Secretária de Educação de Santos não respeita sequer a legislação educacional. O antigo Estatuto do Magistério (que vigorou até 31 de março) determinava um contingente de professores “assinando ponto”, ou seja, profissionais que ficariam à disposição das escolas para cobrir as eventuais ausências dos professores. Isso não era e não é cumprido. Se respeitasse a lei, o índice de 6,23% que ela apresenta como absenteísmo não existiria.

e) A secretária mente ao dizer que o professor pode faltar 29 dias seguidos. Os professores, como todos os servidores da Prefeitura de Santos, têm direito a seis faltas-leis por ano (mas mesmo sendo um direito estatutário, a maioria não consegue usufruir porque não há professores suficientes para substituí-los). Inventar que os docentes têm direito a doze faltas, além das seis citadas, é tentar confundir a população e transferir toda a responsabilidade para os profissionais.

Em suma, para os educadores da rede municipal de ensino, isentar-se de responsabilidades, como faz a Sra. Suely Maia, é um escárnio com a população e com o magistério.

É lamentável que após quase oito anos no cargo, todas as vezes que é questionada por problemas em sua pasta, a secretária transfira a responsabilidade para os educadores ou, até mesmo, para outras secretarias.

SHOW DE INCOMPETÊNCIA E FALTA DE PLANEJAMENTO CONTINUA


Mais uma comprovação da falta de eficiência e planejamento da Seduc é o fato de que até agora (de três meses após o início do ano letivo) os kits de material escolar não chegaram em todas as escolas. Há falta de materiais de várias séries e em diversas unidades. E agora Suely, isso também é culpa dos professores?

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