Funcionários da Seção de Acolhimento de Crianças e Adolescentes em Situação de Rua de Santos e diretores do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) realizaram uma panfletagem na porta do equipamento ontem (quarta-feira).

O objetivo foi alertar a população da Vila Mathias sobre a situação crítica na unidade. O material distribuído denuncia que “os servidores convivem diariamente com ameaças e agressões físicas. Esse cenário, dominado pelo medo, pelo esgotamento físico e emocional não fica restrito às paredes e muros do abrigo. Pouco a pouco se alastra pela vizinhança”, diz o documento.

Problemas na infra-estrutura do equipamento, falta de profissionais e de equipamentos para fazer o trabalho de recuperação de menores em situação de vulnerabilidade também foram questionadas.

Não há assistente social na casa, merendeira e nem mesmo guarda municipal. O número de operadores sociais também é reduzido, chegando ao pontos dos profissionais terem que dobrar o plantão em várias ocasiões para não deixar a unidade desguarnecida.

Em muitos dias a casa funciona com apenas um operador e fica inviável, por exemplo, levar os adolescentes para consultas médicas ou para acompanhamento terapêutico.

Os trabalhadores têm que desempenhar diversas funções não inerentes ao cargo para suprir as deficiências de pessoal.

Há também problemas estruturais e falta de equipamentos para trabalhar atividades ludo-pedagógicas com as crianças.

Intimidados, sobrecarregados e desgastados emocionalmente, muitos trabalhadores adoecem, reduzindo ainda mais as equipes.

Na semana anterior ao Carnaval, o Sindserv levou uma lista de reivindicações sobre o assunto ao secretário de Assistência Social, Carlos Teixeira Filho. Ele prometeu agir para sanar os problemas e redimensionou profissionais de outras unidades para, temporariamente, amenizar as deficiências no feriado. O Carnaval passou e tudo volou ao estado caótico de antes.

Hoje, às 9 horas, uma nova reunião será realizada entre o Sindserv e o secretário sobre o assunto.

Lembramos que a falta de funcionários e a precariedade no funcionamento de equipamentos sociais da Prefeitura de Santos foi alvo de ação civil pública por parte da Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude, conforme noticiou a imprensa em dezembro do ano passado.

Na época, o juiz da Vara da Infância e da Juventude e do Idoso de Santos, Evandro Renato Pereira, acolheu, parcialmente, o pedido de tutela antecipada e determinou providências ao Executivo até abril deste ano.

Prefeito, cadê a cidade Amiga da Criança?

Veja no link abaixo o documento entregue à população da Vila Mathias
 

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