Hospitais e médicos se descredenciam da Capep Saúde, que enfrenta dificuldades financeiras e prejudica servidores



O aumento dos desequilíbrios financeiros da Capep Saúde nos últimos meses está deixando sem assistência diversos servidores e aposentados de Santos.

 Para denunciar a situação, um grupo de servidores fará um ato nesta sexta-feira (3/10), às 9 horas, em frente à Capep Saúde (Av. Francisco Glicério, 479).


Quem estiver preocupado com o futuro de sua assitência médica e não quer ser empurrado para a fila do SUS tem o dever de participar e se juntar à esta luta!

Médicos que não recebem há cerca de oito meses estão se descredenciando em massa. Os motivos são as baixas e atrasadas remunerações por consulta (cerca de R$ 20,00) e também a não-autorização de cirurgias e exames encaminhados pelos profissionais aos seus pacientes por serem classificados pela autarquia como “caros e desnecessários”.

Nas últimas semanas o problema ficou ainda mais evidente com a suspensão do atendimento dos Santo Amaro, de Guarujá, e São José, de São Vicente. Muitos associados do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv), reclamam que vêm passando por constrangimentos na hora em que mais precisam de atendimento. Muitos ficam sabendo na porta do hospital ou da clínica que não serão recebidos em razão de terem o convênio da Capep.

É o caso da aposentada Dilce Gonçalves de Oliveira e de seu marido, Orlando Gonçalves de Oliveira. “Há 20 anos nós nos consultávamos com o Dr. Alfredo Soares Jr, um homem que, além de ótimo médico, já tinha virado um amigo de muitos aposentados. Ele saiu, como muitos outros, porque não agüentava mais ficar sem receber. Estamos horrorizados com o que está acontecendo com a nossa assistência médica”, disse Dilce.

Joaquim Augusto da Costa é talvez um dos aposentados usuários da Capep mais antigos. Com 86 anos, ele diz que desde 1960 faz parte da Capep. “Na década de 80 foi com empréstimo da Capep que eu consegui comprar a minha casinha. Hoje a entidade está indo à ruína e levando todos nós juntos. O que será de nós se ela fechar?”, pergunta o aposentado, que diz não ter condições de ter plano de saúde privado. Joaquim também se surpreendeu, ao tentar marcar consulta com seu médico dias atrás. “A secretária disse que o doutor tinha saído da Capep. Isso é muito injusto”.

Médicos
A estimativa é que 53 médicos deixaram este ano de atender pela Capep. Além da baixa e atrasada remuneração por consultas, as cirurgias também são obstáculos enfrentados pelos profissionais de medicina. No caso do cirurgião Milton Antonio Papi, a saída da Capep se deu porque o uso do material adequado nas cirurgias não era permitido pela autarquia, por ser de melhor qualidade e um pouco mais oneroso.

Para o diretor do Sindserv, Wagner Gatto, esse processo de sucateamento vem se acentuando desde que a empresa E&E foi contratada para assumir o gerenciamento da Capep. “São 4,8 milhões durante 30 meses, em repasses mensais de R$ 184 mil, que estão sendo repassados das contribuições para esta empresa que alem de não solucionar a crise da Capep contribui para piora-la”.

O Sindserv entrou com uma ação popular para que o judiciário anule o contrato de terceirização por ser lesivo ao patrimônio público e defende que o superintendente e conselheiros sejam escolhidos em eleição direta pela categoria. São outras reivindicações:

–    Fim do jetom de R$ 150,00 pago aos conselheiros por cada participação em reunião;
–    Não-taxação dos dependentes;
–    Aditoria nas contas da entidade e que a Prefeitura pague toda a dívida que tem com a Capep (durante os Governos de beto Mansur e Capistrano a administração deixou de repassar sua parte).

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