Apesar de ser notório o quão desigual é nossa sociedade nas relações de gênero, ainda há quem acredite que a luta das mulheres trabalhadoras não faz mais sentido, que a sociedade atual já teria alcançado todas as reivindicações das feministas do passado e que, portanto, essa luta não se faz mais necessária.
 
Para essas pessoas que não conseguem enxergar um palmo adiante, precisaremos recorrer a algumas estatísticas que gritam aos olhos o quão fora da realidade estão os seus pensamentos. Vejamos agora os números de violência contra as mulheres no Brasil:
 
5 espancamentos a cada 2 minutos
(Fundação Perseu Abramo/2010)
 
1 estupro a cada 11 minutos
("9º Anuário de Segurança Pública" – 2015)
 
1 feminicídio a cada 90 minutos
("Violência contra a mulher: Feminicídios no Brasil" – Ipea/2013)
 
179 relatos de agressão por dia
(Balanço da Central de Atendimento à Mulher – Jan-Jun/2015)
 
43 mil mulheres assassinadas em 10 anos, 41% em casa
("Mapa da Violência" – 2012)
 
Esses dados foram compilados pelo "Dossiê Violência contra as Mulheres" e nos mostram o quão ainda se faz necessária a luta das mulheres trabalhadoras não apenas no Brasil, mas em todo o mundo!
 
 
Na fogueira
daquela fábrica
onde arderam
as meninas.
 
Nas fogueiras
destas fábricas
onde ardem, ainda,
as herdeiras desta sina.
 
Na fogueira
onde queimam
nossos sonhos,
tuas cinzas.
 
Nas fogueiras
queimam ainda
nossos sonhos,
tuas cinzas.
 
Na fogueira
preconceitos
invisíveis
queimam ainda.
 
Nas fogueiras
as meninas
pernas nuas
pelas ruas.
 
No fogo
em teu rosto
feito brasa
e hematoma.
 
Na fogueira
do teu sexo
que vestes
quando nua.
 
Das fogueiras
onde queima
tanta fúria
assassina.
 
Deste fogo, prometemos,
libertaremos
os teus sonhos
nossas filhas.
 
Este fogo
não se esquece:
nos aquece,
nos anima.
 
Mauro Iasi

Deixe um Comentário

Você precisa fazer login para publicar um comentário.