Falta de planejamento da Prefeitura transforma domingo de concurso em pesadelo para milhares de candidatos em Santos
O dia 27 de setembro de 2026 deveria marcar a busca pela realização de um sonho para quase 21 mil inscritos no concurso público para o cargo de Oficial de Administração da Prefeitura de Santos. Porém, por falta de planejamento da administração municipal, a data se transformou em um verdadeiro pesadelo.
A decisão de manter a realização da prova no mesmo dia e horário de uma grande competição esportiva de Triathlon na cidade gerou um caos logístico sem precedentes, prejudicando milhares de candidatos.
Isso porque para a realização da prova esportiva, que reuniu cerca de mil atletas, a Prefeitura promoveu o fechamento de 10 vias importantes — bloqueando o livre acesso desde o Canal 3 até a região da Ponta da Praia —, além de alterar o itinerário de 24 linhas de ônibus. O agravante é que diversos dos 19 locais de prova do concurso estavam situados justamente na região interditada para a largada e chegada do evento.
O resultado dessa sobreposição de eventos foi um trânsito completamente paralisado. Relatos mostram o desespero de candidatos que, presos em congestionamentos acima do normal, precisaram descer dos ônibus no meio do caminho para tentar seguir a pé ou solicitar transporte por aplicativos (como Uber Moto), enfrentando esperas superiores a 20 minutos.
Uma candidata prejudicada que entrou em contato com o Sindserv descreveu o desespero de muitas pessoas que como ela não conseguiram chegar antes do fechamento dos portões, mesmo tendo saído de casa com bastante antecedência.
Ela conta que protocolou uma representação formal junto à Comissão Organizadora (IBAM) e à Prefeitura, e acionou o Ministério Público (MP) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE). No documento, a candidata destaca uma evidente “violação da isonomia entre os candidatos”.
Para ela as interdições criaram barreiras logísticas desiguais: enquanto alguns tiveram facilidade de acesso, outros, que dependiam de transporte público nas rotas alteradas, foram severamente punidos pela desorganização da cidade.
Na representação, ela pede o levantamento de dados oficiais sobre o número de abstenções, uma análise detalhada das consequências das interdições e a avaliação de medidas de justiça, como a nova aplicação da prova para aqueles que foram impedidos de chegar a tempo por conta do caos no trânsito.
O Sindserv Santos apoia a mobilização dos candidatos e também cobra respostas do Governo que garantam o princípio constitucional da igualdade de concorrência no certame.