Atribuição de aulas feita no papel, como na pré-história
Essa é a modernidade das terceirizações que tanto falam? Por mais um ano consecutivo o sistema contratado pela Prefeitura gera tanto problema que a atribuição de aulas tem que ser feita no papel.
Isso causa diversos transtornos para os servidores da Seduc e para os professores. Em pleno 2026, os servidores da Seduc anotando tudo no papel, de professor em professor, para depois alimentar uma planilha. Esse modo arcaico inviabiliza a publicação das listas das vagas disponíveis para atribuição até mesmo no final do dia, quem dirá em tempo real. O professor só descobre o que tem disponível na hora que chega na mesa.
Sobrecarga de trabalho, retrabalho, desgaste emocional, aumento do risco de falhas humanas, falta de transparência,… Essa é a modernidade das terceirizações.
O sistema atual, que não funciona, é o GIER (Gestão Inteligente da Educação Responsável). Ele substituiu o SIGES (Sistema Integrado de Gestão Escolar), sistema que funcionava e que foi desenvolvido pelos próprios servidores da Prefeitura de Santos. Essa é a modernidade do governo Rogério Santos: joga no lixo o que é público e funciona para pagar para empresas privadas por algo que não funciona.
A atribuição de aulas de 2025 já foi assim. O SINDSERV Santos oficiou o governo explicando tudo o que estava ocorrendo e fazendo diversos questionamentos. Até hoje, nenhuma resposta!
Mais uma vez questionamos:
1. Quais funcionalidades do sistema GIER justificaram a substituição do SIGES, sistema próprio do Município, amplamente reconhecido e consolidado?
2. Essas funcionalidades foram integralmente implementadas? Caso positivo, encontram-se plenamente operacionais e em uso efetivo pela Rede Municipal?
3. Considerando os inúmeros relatos de instabilidade, falhas e quedas do sistema ao longo do ano, o que estabelece o contrato firmado quanto à disponibilidade mínima do sistema (SLA – Acordo de Nível de Serviço)?
a. Existe percentual mínimo de disponibilidade previsto contratualmente?
b. Há registro formal, monitoramento ou controle das ocorrências de indisponibilidade, falhas e interrupções do sistema?
c. Em caso positivo, solicitamos esclarecimentos sobre quantas ocorrências foram registradas, seus impactos e as providências adotadas.
4. Foram aplicadas notificações formais, penalidades contratuais, multas ou outras sanções à empresa contratada? Em caso afirmativo, solicitamos detalhamento.
5. Existem estudos, avaliações técnicas ou jurídicas que indiquem a possibilidade de rescisão contratual diante dos reiterados problemas?
6. O contrato prevê níveis mínimos de serviço (SLA)? Esses níveis vêm sendo cumpridos?
7. Existe garantia contratual de acesso integral, exportação e auditoria dos dados educacionais, assegurando transparência e controle social nos mesmos moldes do sistema próprio anteriormente utilizado?
8. Qual o custo total do contrato do GIER, incluindo licenças, suporte, manutenção e aditivos, e como esse custo se compara à manutenção e evolução do SIGES?
9. Houve avaliação prévia de impacto administrativo, pedagógico e funcional antes da substituição do SIGES? Em caso afirmativo, solicitamos acesso a esses estudos.
10. Quais providências estão sendo adotadas para evitar a continuidade do retrabalho, da duplicidade de registros e da sobrecarga dos servidores responsáveis pelos processos de atribuição?
11. Existe, por parte desta Secretaria, intenção ou estudo para a reativação do SIGES, considerando sua estabilidade, histórico de eficiência e domínio público dos dados?
Mais uma vez, milhões de reais que deveriam ser investidos na qualificação do serviço público, seja no SIGES ou nas SALAS DE AULA, foram parar no bolso de empresas terceirizadas que só têm compromisso com o próprio lucro.
SÓ A LUTA COLETIVA MUDA A VIDA