Série Não Vote Neles – AUGUSTO CURY – NÃO VOTE NELE PARA PRESIDENTE
Escritor de livros de autoajuda e médico psiquiatra, nunca exerceu cargo na vida política e tenta se apresentar como uma alternativa que não se enquadra tradicionalmente nos campos da esquerda ou da direita. Mas disse em entrevistas ser favorável a modernizar o serviço público de forma a não contratar mais servidores.
Propostas ligadas ao uso de Inteligência Artificial podem ser utilizadas para justificar a redução do quadro de servidores e a substituição de funções essenciais exercidas por profissionais humanos no serviço público.
RISCOS AO SERVIÇO PÚBLICO
Ele também defendeu a criação de critérios de avaliação de eficiência para funcionários públicos. Sabemos do uso subjetivo, político e de riscos de assédio moral que esses mecanismos representam na prática nos governos onde são implantados, inclusive aqui em Santos. “A minha mente é uma mente que é capitalista, (defendo) meritocracia, um estado enxuto, responsável fiscalmente e empreendedorismo”, afirmou.
RISCO ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS
O candidato disse ainda que se eleito não mudará o arcabouço fiscal (conjunto de regras na economia que limita gastos com políticas públicas). É o princípio neoliberal de subserviência ao mercado, que em resumo sufoca os investimentos públicos para garantir recursos aos credores da dívida pública, amarrando a capacidade do Estado de promover justiça social e distribuição de renda.
DRONES E INFLUENCERS
Também gerou espanto e memes na internet as propostas de Cury de criar um ministério da IA, utilizar drones contra feminicídios e treinar embaixadores para serem influencers digitais. Especialista em criar respostas rasas para problemas estruturalmente complexos, sua literatura circulou entre jovens e adultos como mais um produto de um mercado que aprendeu a transformar sofrimento, ansiedade e insegurança em mercadoria pelo viés da saída individual.
RISCO NA EDUCAÇÃO
A Escola da Inteligência, sua empresa, transformou suas ideias em produto educacional: livros para alunos, materiais destinados às famílias, formação de professores e aulas semanais inseridas na rotina escolar. Em 2020, a Escola da Inteligência foi adquirida pela Arco Educação, uma das gigantes brasileiras do setor educacional. Aquilo que poderia parecer apenas um conjunto de ideias de um escritor de autoajuda já havia se transformado numa solução educacional de proporção nacional e extremamente lucrativa, atuando contra o desenvolvimento do pensamento crítico das novas gerações.