A Prefeitura de Santos foi "surpreendida" na manhã desta quarta-feira, 3 de dezembro, com a paralisação dos servidores da SEADOMI (Seção de Atendimento Domiciliar). O setor fica no 1º andar do Centro Integrado de Acesso e Regulação em Saúde Dr. David Capistrano Filho – unidade da Secretaria Municipal de Saúde.

Não foi por acaso que destacamos a palavra "surpreendida" entre aspas. Embora não tivesse conhecimento do ato realizado pelos servidores, há muito tempo o governo municipal sabe quais são as demandas e reivindicações desses trabalhadores. Com cartazes e faixas denunciando os problemas enfrentados diariamente, os servidores se deslocaram até os semáforos da Rua Barão de Paranapiacaba e da Avenida Ana Costa para expor à população a motivação do protesto.

Aos trabalhadores que passavam a pé ou de carro pela região, foi entregue um manifesto com os principais problemas enfrentados. "Trabalhamos há quase dois anos em salas super aquecidas, sem ar condicionado, onde o calor é insuportável. Temos, inclusive, comprado ventiladores com nosso próprio dinheiro para que consigamos permanecer nas salas e realizarmos nosso trabalho. Além disso,  a SEADOMI armazena medicações e dietas que precisam ficar em temperatura adequada que em virtude do calor excessivo, estragam ou perdem sua eficácia, tendo que ser inutilizadas, causando prejuízo aos cofres públicos", destaca um dos trechos da carta.

O estopim

Os trabalhadores chegaram no limite e sobram razões para isso. A paciência esgotou diante do descaso da Prefeitura que, após muita enrolação, comprou os aparelhos de ar condicionado um ano atrás sem qualquer medida concreta para garantir a instalação. Prova disso é o fato de que há mais de seis meses os aparelhos se encontravam embalados no setor. A solução encontrada nessa semana, de intenso calor, foi inusitada: retirar um ar condicionado da unidade e transferir para outro setor. Sem qualquer explicação ou justificativa.

Uma luta de toda a categoria

É uma contradição revoltante ver que os trabalhadores responsáveis por humanizar o tratamento médico de pacientes não recebem do seu empregador postura semelhante. Não é de hoje que o Sindicato vem denunciando o sucateamento da unidade, que carece de infraestrutura mínima para dar condições dignas de trabalho aos servidores.

É dessa forma, oferecendo condições degradantes de trabalho e, por consequência, péssimos serviços à população, que o governo pavimenta a justificativa para terceirizar áreas estratégicas, como a saúde neste caso, para as Organizações Sociais.

É contra essa lógica que lutamos. Neste sentido, não podemos deixar de lembrar a todos os servidores que a luta travada pelos trabalhadores do SEADOMI não é isolada. Pelo contrário, se incorpora à luta de toda a categoria contra a privatização dos serviços públicos.

Assim como o estopim das jornadas de junho foram "apenas vinte centavos", o estopim desta paralisação foi o "ar condicionado", mas existem muitos outros problemas. Sabemos que a gota d'água não é a raiz do problema e, por isso, cada luta imediata, cada luta específica por melhores condições de trabalho pode e deve se converter numa luta de toda a categoria em defesa do serviço público, contra as terceirizações.

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